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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Hipocalcémia

A hipocalcémia ocorre devido a uma diminuição dos níveis de cálcio no sangue e alteração do equilíbrio entre o cálcio, fósforo e magnésio no organismo. Estes desequilíbrios podem ocorrer antes ou depois do parto mas geralmente acontecem 1 a 3 semanas após o parto em cadelas ou gatas. É mais comum em cadelas de raças pequenas como os caniches, pinscher ou yorkshire terrier mas pode suceder em animais de raças maiores.
Os factores que predispõem a esta doença são o aumento da necessidade de cálcio para a produção de leite, dieta com baixo teor de cálcio, falta de absorção intestinal de cálcio e patologias das glândulas paratiróides que alteram o metabolismo do cálcio.
Inicialmente os sinais podem ser apenas excitabilidade do animal e também aumento da frequência respiratória (arfar) e quando a hipocalcémia se acentua podem ter:
- Incoordenação de movimentos ou incapacidade em manter-se de pé
- Diminuição do apetite
- Tremores musculares e convulsões
- Febre
- Coma

Quando ocorre antes do parto o animal pode não conseguir ter contracções suficientes para expulsar os bebés e ser necessária cesariana.

Uma vez que o cálcio é essencial para o funcionamento do sistema nervoso e do coração esta doença pode ser fatal. Bastam 8 a 12 horas para que um animal com sintomas ligeiros da doença progrida para convulsões e se não for tratado a doença progride para a morte.
O diagnóstico é baseado na história de ter havido um parto recentemente, nos sintomas e ainda em análises para avaliar os níveis de cálcio.
Uma vez repostos os níveis de cálcio o animal apresenta melhoras bastante rápidas mas é necessário perceber qual foi a causa inicial para que possa ser corrigida e os níveis de cálcio não voltem a baixar.
No caso da cadela estar a amamentar os cachorros devem ser impedidos de mamar para promover a secagem do leite da mãe. Aos filhotes deve ser dado leite de substituição apropriado até que comecem a comer a ração de desmame. Para evitar que a cadela sofra hipocalcémia deve ser alimentada com ração própria para cachorros de alta qualidade desde o início da gravidez e até que os cachorros sejam desmamados.

Se a sua cadela/ gata estiver grávida deve aconselhar-se com o seu médico veterinário sobre os cuidados que deve ter para prevenir estas ou outras doenças que podem surgir durante a gravidez.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Maneio de Porquinhos-da-índia


Os porquinhos-da-índia (Cavia porcellus) são uma espécie de roedores que teve origem na América do Sul e que actualmente muitas pessoas têm nas suas casas como animal de estimação. Existem diversas raças com pelagens muito variadas mas quase todos são bastante resistentes e adaptam-se a diferentes habitats. São animais sociais pois na natureza vivem em grupos que podem chegar aos 10 indivíduos mas não é aconselhável juntar dois machos para não haver lutas entre eles.
Em cativeiro podem viver até 6 anos no máximo, quando mantidos com as condições adequadas. São animais de hábitos nocturnos por isso é normal serem mais activos durante a noite e dormirem durante o dia.
O seu peso varia entre as 800 gramas e os 1.5 kg, sendo os machos maiores do que as fêmeas.

Alimentação
Uma vez que são animais herbívoros devem ser alimentados com ração própria para porquinhos-da-índia, feno e podem também ser dadas frutas e legumes frescos (excepto alface que pode causa problemas intestinais).
O comedouro deve ser feito de material resistente que não possa ser roído e o bebedouro deve estar suspenso para que não sujem a água.
O feno é essencial para assegurar que os dentes de crescimento permanente (como os dos coelhos) se gastem de forma adequada e deve ser fornecido diariamente. Também podem ser colocadas pedras minerais que eles podem roer para ajudar a desgastar os dentes incisivos.
Como esta espécie tem a particularidade de não conseguir sintetizar vitamina C a sua alimentação deve ser suplementada com frutas e verduras ricas neste componente como os brócolos, salsa, couve-flor e kiwi.

Alojamento
Os porquinhos-da-índia devem ser mantidos em gaiolas com pelo menos 2 metros quadrados por animal, com uma parede de pelo menos 30 cm de altura e bem ventiladas. A gaiola pode ter vários andares para que o porquinho possa escalar e exercitar-se.
O fundo da gaiola deve ser revestido com serradura, jornal ou outros substratos apropriados para estes animais. Seja qual for o revestimento utilizado deve ser todo retirado pelo menos uma vez por semana e a gaiola completamente lavada com água e sabão neutro. Estes animais normalmente escolhem uma zona da gaiola para urinar e defecar que deve ser limpa diariamente.
Os porquinhos-da-índia não devem ser alojados em locais quentes, húmidos ou onde haja luz solar directa. A temperatura ambiente ideal é cerca de 21ºC pois a temperaturas superiores a 28ºC podem sofrer golpes de calor que são fatais.
É aconselhável dar ao animal um local onde se possa esconder podendo usar-se um objecto de madeira, plástico ou cerâmica colocado dentro da gaiola.

Reprodução
A puberdade começa por volta dos 3 meses, altura a partir da qual as fêmeas fazem cios de 15 em 15 dias. Se não pretender fazer criação de porquinhos-da-índia deve separar os machos das fêmeas antes desta idade.
O período de gestação desta espécie é de cerca de 2 meses e as ninhadas têm normalmente entre 2 a 4 porquinhos mas podem ser maiores. No período de gestação a alimentação deve ser reforçada e deve-se evitar manusear as fêmeas pois são muito sensíveis e podem ter partos prematuros.
A fêmea pode ter novo cio 6 a 8 horas após o parto e por isso deve ser separada dos machos para não acasalar novamente.
Os bebés nascem já com os olhos abertos e começam a comer alimentos sólidos na 1ª semana de vida. O seu desmame é feito aos 21 dias, altura a partir da qual devem ser separados da mãe.

Desparasitação e problemas médicos mais comuns
Os porquinhos-da-índia não necessitam de ser vacinados, apenas precisam de ser desparasitados pelo menos de 6 em 6 meses. Deve aconselhar-se com o seu médico veterinário para saber quais os produtos mais indicados para cada caso.

Alterações cutâneas: as doenças de pele são dos problemas mais comuns nesta espécie. Tal como a maioria dos outros animais podem ter infestações por pulgas, carraças ou piolhos que se alimentam do seu sangue e lhes causam muita comichão. A desparasitação periódica evita e elimina estes parasitas.
Podem ainda ter infestações por ácaros ou fungos que causam descamação e zonas sem pêlo.
Se o alojamento não for feito numa gaiola adequada ou se a limpeza dos alojamentos não for feita de forma adequada podem desenvolver infecções nas patas que se apresentam inchadas e sem pêlos.

Alterações gastrointestinais: podem ser causadas por alimentos aos quais o animal é intolerante, por alterações da flora intestinal ou por obstrução por objectos que roam. Se houver falta de apetite ou diarreia o animal deve ser levado ao médico veterinário.

domingo, 3 de outubro de 2010

CASTRAÇÃO OU ESTERILIZAÇÃO


Pergunta: “Das duas vezes que fui ao veterinário foi falado da esterilização e não de castração. Eu queria saber a diferença das duas intervenções. É que segundo o que li, a esterilização faz com que as gatas tenham cio mais vezes. Tendo em conta que a minha gata esta em apartamento não seria melhor a castração? E que diferença de preço há entre as duas intervenções? …”

Resposta: Na prática veterinária usa-se os termos esterilização para as fêmeas e castração para os machos. No dicionário estão as seguintes definições:

Esterilização é a retirada total de condições de reprodução da vida, seja a que nível for. Assim, o processo de esterilização compreende aquela realizada em materiais cirúrgicos que serão utilizados em seres humanos pelo médico ou em animais pelo veterinário, como compreende também os métodos cirúrgicos realizados para evitar a gravidez.

Castração é um acto que incapacita-se o indivíduo de reproduzir-se sexualmente, e suprime seu aporte de hormonas sexuais (testosterona, no macho, e estrogênio, na fêmea). O acto consiste na extirpação das gônadas (gonadectomia): testículos na castração masculina (orquiectomia); ovários na castração feminina.

No caso dos animais domésticos a cirurgia para esterilizar/ castrar fêmeas engloba por rotina e recomendavelmente a retida dos ovários e do útero para evitar possíveis patologias do útero. No caso dos machos a cirurgia restringe-se à retirada dos testículos. Os animais ficam estéreis. Se eventualmente numa fêmea fosse retirado somente o útero e não os ovários, esta cirurgia seria realmente uma esterilização (que evitava a reprodução) mas não uma castração (mantendo os cios do animal).

Na nossa clínica veterinária, na cirurgia de esterilização a fêmeas são sempre retirados ovários e útero, impedindo a procriação e evitando cios indesejados. Evitamos assim possíveis piometras, tumores do útero e mama (quando realizada antes do 1ª cio) e outras patologias associadas ao aparelho reprodutor.

Em termos de preço a questão não se coloca, pois não recomendamos só a castração em fêmeas (retirada somente dos ovários).

Consulte o seu médico veterinário e pergunte-lhe em que consiste a cirurgia a que vai ser submetido o seu animal e retire todas as dúvidas.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Pseudogestação

A pseudogestação é uma condição em que se verificam alterações hormonais nas cadelas que podem causar alterações psicológicas e físicas idênticas à de uma gravidez. Estas alterações ocorrem 6 a 14 semanas após o cio mesmo sem a cadela ter acasalado.

Estima-se que cerca de 50% das cadelas apresente esta condição pelo menos uma vez na vida mas a maior parte das que tem um episódio de pseudogestação tem tendência a repeti-lo nos cios seguintes.

Sabe-se que esta situação está relacionada com alterações hormonais a nível da prolactina e da progesterona mas os mecanismos exactos para a ocorrência desta situação ainda não são completamente compreendidos. Pensa-se que esteja relacionada com o comportamento selvagem dos cães em que todas fêmeas da matilha têm os cios sincronizados mas apenas a dominante pode acasalar. Este comportamento faz com que as restantes fêmeas também tenham leite e possam amamentar os cachorros da fêmea dominante enquanto ela sai em busca de alimentos para a matilha.

Sendo as causas para este problema hormonais, pode estar associado a tratamentos com medicamentos hormonais como a pílula contraceptiva.

Os sinais clínicos que os animais apresentam frequentemente são físicos e comportamentais:

- Fazer um ninho (escavando ou juntando roupas, jornais, etc)

- Adoptar brinquedos ou bebés de outras fêmeas tendo cuidados excessivos com eles

- Agressividade

- Inquietação

- Lamber a barriga e as mamas

- Aumento do volume mamário e abdominal

- Produção de leite

- Aumento de peso

- Diminuição do apetite

O diagnóstico do problema faz-se com base na história clínica e exame físico do animal. Em casos em que a cadela possa ter acasalado com um cão deve-se fazer uma ecografia para confirmar que de facto se trata de uma gravidez, piómetra ou de um parto recente.

Em casos menos graves a doença pode ser auto-limitante e os sintomas desaparecem por si após 3 semanas, sendo apenas necessário o uso de um colar para que a cadela não estimule a secreção de leite. Nos restantes casos pode ter de se recorrer a tratamento médico com administração de medicamentos que contrariam as hormonas em circulação.

As complicações mais comuns são as mamites e dermatites cutâneas porque o animal se lambe constantemente. Há ainda uma maior predisposição para o aparecimento de tumores mamários por causa da constante estimulação da glândula mamária por hormonas.

Aconselha-se a esterilização do animal para resolver completamente este problema, principalmente em cadelas que façam mais do que uma pseudogestação. Deve-se ter em atenção que se o animal for esterilizado durante um destes episódios a pseudogestação pode-se tornar permanente.

Caso o seu animal tenha este problema deve-se aconselhar com um médico veterinário sobre qual a solução mais adequada para o caso.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Castração de gatos machos

A castração dos gatos machos é feita através de uma cirurgia em que são removidos os testículos (orquiectomia). Os testículos produzem a hormona sexual masculina, a testosterona, responsável pelo comportamento sexual dos gatos adultos e ao removê-los paramos a produção desta hormona, tornando-os inférteis.

Este procedimento normalmente realiza-se a partir dos 6 meses de idade do gato e tem vantagens se for realizado antes do animal a atingir a maturidade sexual que ocorre por volta dos 9 meses.

Apesar de esta cirurgia implicar uma anestesia geral os riscos que acarreta são reduzidos. Na maioria dos casos o animal volta para casa no próprio dia da cirurgia tendo apenas que usar um colar e tomar medicação durante alguns dias.

A castração evita os comportamentos de marcação de território através da urina (nos móveis, sofás, paredes, etc) que provocam estragos na casa e muito mau cheiro e pode ajudar também a diminuir o comportamento de arranhar em casa. A castração evita a reprodução indesejada, diminuindo assim ninhadas de gatinhos sem dono ou abatidos ao nascer.

Embora não modifique a personalidade do animal, este torna-se menos agressivo, deixa de vocalizar na tentativa de atrair gatas e é mais fácil mantê-lo em casa. Assim tem menores hipóteses de ser atropelado, cair da janela ou ser agredido e mantém-se afastado das lutas pelo território reduzindo o risco de ser ferido por outros gatos e contrair doenças infecciosas incuráveis (leucemia felina – FeLV e imunodeficiência felina - FIV).

Estes factores contribuem para que esperança de vida de um gato castrado seja de cerca de 15 a 17 anos enquanto a de um gato não castrado que tenha acesso à rua é apenas de 3 a 5 anos.

Alguns gatos podem ter tendência para se tornar mais sedentários e aumentar de peso. Nesses casos é recomendável tentar que o animal faça mais exercício brincando com ele alguns minutos por dia, controlar a dose diária de comida e dar-lhe uma dieta específica para gatos castrados que é menos rica em calorias.

A castração pode também predispor à ocorrência de cálculos urinários porque estes gatos urinam menos vezes por dia. Este problema pode ser prevenido estimulando o animal a beber mais água (com uma fonte com água corrente por ex.) e dar-lhe uma ração de boa qualidade apropriada para gatos esterilizados.


Para esclarecer dúvidas sobre este procedimento deve contactar o médico veterinário.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

SINDROME DO RESTO OVÁRICO

O cio nas cadelas e gatas é muitas vezes um incomodo para o dono, quer pelas suas manifestações, quer pela possibilidade de reprodução indesejada.

Os métodos contraceptivos médicos trazem muitas contra-indicações e a melhor escolha é a cirurgia: ovariohisterectomia, remoção cirúrgica de ovários e útero.

Esta cirurgia para além de impedir a reprodução, evita permanentemente os sinais de cio incómodos. Nas gatas: vocalização, alterações comportamentais e tentativas de fuga para acasalar. Nas cadelas: corrimento sanguinolento, micções mais frequentes e perseguição por machos.

Tem ainda as vantagens adicionais de eliminar o risco de piometra, pseudogestação e hiperplasia mamaria felina. E se realizada antes do 1º ou 2º cio, reduz muito o risco de mais tarde virem a ter tumores mamários.

Contudo esta intervenção pode ter efeitos colaterais como: incontinência urinária, obesidade, vulva infantil, alopecia, mudança da cor e da textura dos pêlos e o Síndrome do Resto Ovárico.

O Síndrome do Resto Ovárico ou Síndrome do ovário remanescente é uma complicação pouco frequente na rotina das ovariohisterectomias das cadelas e gatas quando comparado com os casos descritos em humanos.

O SINDROME DO RESTO OVÁRICO refere-se a presença de tecido ovárico funcional após ovariohisterectomia em cadelas e gatas. Os animais apresentam de novo sinais de cio.

As causas podem ser várias:

- técnica cirúrgica inadequada com resecção incompleta de um ou ambos ovários.

- queda de uma pequena porção do tecido do ovário dentro da cavidade. peritonial aquando da retirada adequada dos ovários. Este tecido pode unir-se ao mesentério e revascularizar-se voltando a ser funcional.

- tecido residual ovárico em uma localização diferente da região normal e este pode ser funcional em qualquer momento.

Embora estes cios sejam inférteis, esta complicação pós cirúrgica imprevista traz incómodos.

Deverá primeiro confirmar-se o diagnóstico e descartar diagnósticos diferenciais. Eliminando a possibilidade de outras patologias que provoquem sangramento vaginal em cadelas e gatas castradas e isso inclui neoplasias, vaginites, piometra do coto uterino, traumatismos, terapias exógenas de estrogênio e coagulopatías. Outras condições também podem provocar o processo como: ovário supranumerário, ovário acessório, hiperactividade da glândula adrenal e tumor secretor de estrogênio.

O tratamento recomendado é o tratamento cirúrgico. A cirurgia deve ser realizada quando a cadela ou gata esteja em cio, já que reforça as possibilidades de visualizar este tecido.

O tratamento clínico é a administração de medicação hormonal. Não é recomendável, mas por vezes é necessário quando os proprietários recusam a cirurgia exploratória ou quando não foi possível localizar o tecido durante a segunda intervenção cirúrgica.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Piómetra

Uma piómetra é uma infecção do útero que ocorre em cadelas e gatas não esterilizadas, cerca de 1 a 2 meses após o cio. É mais comum em animais com mais de 7 anos de idade. Com a idade, os sucessivos cios, a administração de medicamentos para controlo do cio ou abortivos criam-se condições propícias no útero para o aparecimento da infecção. A acção das hormonas (progesterona) aumenta a espessura da parede do útero, pode levar à formação de quistos e diminui a capacidade de contracção das paredes permitindo a acumulação de líquido dentro do útero. Esta acumulação de líquido vai ser propícia ao crescimento das bactérias que entram da vagina durante o cio quando o cérvix está aberto permitindo a sua entrada no útero.

No caso do útero permanecer aberto durante a infecção é visível um corrimento uterino com pús e/ou sangue e com mau cheiro a sair pela vagina – piómetra aberta. Quando o útero se fecha após o cio não se observa qualquer corrimento e a infecção acumula-se dentro do útero fazendo com que as toxinas libertadas pelas bactérias entrem em circulação ou mesmo que haja ruptura da parede do útero. A piómetra fechada é por isso bastante mais grave e mais difícil de diagnosticar porque os sinais são inespecíficos.
Nas piómetras os sinais a que se deve estar atento são.
- Corrimento vaginal
- Febre
- Apatia
- Perda de apetite
- Perda de peso
- Aumento da ingestão de água
- Aumento da produção de urina
- Vómitos e/ou diarreia
- Distensão abdominal

Estes sintomas vão evoluindo com o passar do tempo e caso não haja tratamento causam a morte do animal, por isso estas situações devem ser diagnosticadas e tratadas o mais rapidamente possível.
Para chegar a um diagnóstico, além dos sinais clínicos, devem ser realizadas análises de sangue para avaliar se há outros órgãos afectados e mesmo radiografias ou ecografia para ver se há aumento do volume uterino.
O tratamento recomendado para a piómetra é a esterilização (remoção cirúrgica do útero e ovários) pois é o mais seguro e fiável. Normalmente é necessário estabilizar o animal antes da cirurgia administrando-lhe soro e antibióticos.
É possível fazer tratamento médico caso as cadelas sejam usadas na reprodução mas este acarreta mais riscos para a vida do animal. É um tratamento hormonal que não faz efeito em menos de 48h o que pode ser demasiado tempo em casos de animais severamente doentes e que pode ainda causar ruptura do útero, associada a peritonite.
A prevenção desta situação pode ser feita esterilizando a cadela ou gata antes da doença estar instalada e quando o animal se encontra bem de saúde, tendo muito menos riscos cirúrgicos. Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre os benefícios da esterilização quer na prevenção da piómetra quer de outras doenças reprodutivas.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Tumor mamario

O aumento dos cuidados veterinários, a alimentação correcta e o maneio mais cuidado dos animais domésticos permitiram que o tempo de vida médio dos nossos animais de companhia seja muito superior. Consequentemente, doenças que geralmente acometem animais idosos tornam-se mais frequentes. É o caso, por exemplo, dos tumores.
Dentro dos tumores que surgem nas cadelas e gatas, o cancro de mama merece destaque. Eles representam cerca de 25 a 50% das neoplasias (termo correcto para definir o tumor) que atacam as fêmeas (cadelas e gatas).


E como detectar se o seu animal de estimação possui neoplasia mamaria? Os proprietários devem prestar atenção a aumentos de volume na região das mamas, devendo palpar esta região com alguma frequência. As alterações podem ser inchaço de consistência macia e aumento da temperatura no local, podendo ocorrer vermelhidão regional da pele, que podem ser mastites, comuns em fêmeas que estejam a amamentar ou com gravidez psicológica e/ou alterações hormonais. Esta situação requer tratamento mas não é tumoral. Por outro lado os tumores começam por pequenos nódulos que variam de tamanho e podem apresentar consistência muitas vezes endurecida. Estas pequenas formações podem ser benignas ou malignas (cancro). Os tumores benignos tendem a apresentar menor velocidade de crescimento, demorando meses ou anos para aumentar seu volume. Em contrapartida, os tumores malignos tendem a se desenvolver rapidamente, muitas vezes apresentando feridas em sua extensão. Além disso, o tumor mamário maligno apresenta a possibilidade de gerar metástases, ou seja, a migração de células tumorais para órgãos diversos, como pulmões, fígado e baço, que levam o animal à morte em curto espaço de tempo.


É bom lembrar que o tratamento cirúrgico é o de eleição. Mesmo nódulos pequenos, com aparência de benignidade, podem revelar focos de células malignas. A avaliação deve ser feita por um médico veterinário.
O factor tempo é primordial para o sucesso do tratamento e na expectativa de sobrevida do animal após a cirurgia. O diagnóstico e tratamento precoce são as palavras-chaves. Não ignore qualquer alteração da glândula mamária do seu animal, quanto mais cedo for tratada melhor. Se você tem uma cadela ou gata em casa, habitue-se a palpar as mamas do animal com frequência, de modo a detectar precocemente nódulos e tumores e, se alguma alteração for notada, procure imediatamente o médico veterinário para que as medidas correctas sejam adoptadas. Quando levar o seu animal a consultas de rotina peça também para procederem a um exame das glândulas mamárias pois os pequenos tumores às vezes passam despercebidos à palpação menos experiente.


O melhor método contraceptivo é a castração, pois a utilização de medicações, sejam anticoncepcionais ou abortivos, pode levar a maior predisposição ao aparecimento de tumores malignos.
Sabe-se que a castração é um método preventivo (99,95%) contra o aparecimento do cancro de mama se ela for realizada precocemente, antes do primeiro cio do animal. Após esse período, a taxa percentual de prevenção é reduzida, até se tornar nula.
Ao contrário do que algumas pessoas acreditam, animais que nunca tiveram crias não são mais susceptíveis ao tumor de mama.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Coelhos - Cuidados gerais II

Higiene

A jaula deve ser limpa pelo menos uma vez por semana, ou com mais frequência quando passam muitas horas dentro dela. O piso da jaula molhado predispõe a úlceras nas patas e o risco de doenças respiratórias aumenta quando há grandes acumulações de urina. Os coelhos eliminam o cálcio na urina pelo que por vezes a sua urina pode ser bastante espessa e ter uma cor alaranjada sem estarem doentes.
De madrugada os coelhos produzem fezes mais moles, ricas em nutrientes e vitaminas, que ingerem para sofrerem uma segunda digestão. Quando há alterações nos dentes ou obesidade, o animal não consegue realizar esta rotina e estas fezes podem acumular-se no pêlo, podendo alojar insectos indesejáveis. Nestes casos deverão ser limpos com água e sabão e o pêlo deve ser bem seco.
Na maior parte dos casos os coelhos escolhem um local onde fazem as fezes e urina, por isso podem ser habituados usar uma caixa própria para esse efeito, com o fundo coberto com o mesmo material que a jaula.
O banho frequente não é aconselhado uma vez que os coelhos tratam da sua higiene diária e têm uma pele sensível. Caso haja necessidade de dar banho devem ser bem secos no final pois a humidade predispõe a problemas de pele. Devem ser escovados frequentemente para eliminar pêlos mortos, evitando a sua ingestão. Caso haja uma grande ingestão de pêlos ao fazer a sua higiene é aconselhável fornecer-lhes produtos próprios para ajudar a eliminação de pêlos do intestino, principalmente em coelhos de pêlo comprido.

Exercício

Como têm os ossos frágeis, além do suplemento de cálcio devem fazer bastante exercício (pelo menos 3 horas por dia) para prevenir a osteoporose. Para isso deve ser disponibilizada uma área da casa ou jardim onde não haja cabos eléctricos, nem plantas ornamentais ou madeiras tratadas que possa roer, uma vez que são muitas vezes tóxicas.
Caso o coelho vá ao jardim, este deve estar acompanhado ou deve ser colocada uma vedação para lhe limitar os movimentos a locais onde não corra perigo. No jardim os coelhos têm tendência para escavar buracos, por isso devem ser colocados em locais onde não seja possível fazê-los.
Devem fornecer-se esconderijos como caixas de cartão ou túneis de plástico ou cartão e estes mesmos esconderijos podem ser usados para colocar frutas e legumes de que o animal goste para que ele seja obrigado a procurá-los.

Reprodução

A sua actividade sexual inicia-se entre os 4 e 9 meses, sendo as raças mais pequenas mais precoces. As fêmeas fazem ciclos de 14 a 16 dias durante os quais estão aptas a acasalar, fazendo paragens de 1 a 2 dias entre ciclos. A gravidez dura cerca de 1 mês, após o qual nascem as crias que são totalmente dependentes do leite da mãe durante 3 semanas. A partir das 4 semanas começam a comer feno tornando-se independentes até às 6 semanas de vida.
Não é aconselhável acasalar coelhos da mesma família (pais, irmãos, etc) pois isto predispõe ao aparecimento de doenças nas ninhadas, desde problemas dentários até alterações neurológicas.