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quinta-feira, 10 de março de 2016

Envenenamento por chocolate em cães

Os cães são conhecidos por comer coisas estranhas quando não é suposto, principalmente os cachorros. Para além disso, têm um excelente olfacto sendo bastante fácil para eles encontrar os esconderijos de determinados alimentos. Esta combinação de características pode ser perigosa, especialmente quando há chocolate em casa. 
O chocolate deriva de sementes de Theobroma cacao, que contém certas propriedades que são tóxicas para os animais, como a cafeína e a teobromina. Estes dois ingredientes, quando ingeridos, podem levar a várias complicações sérias e podem mesmo ser fatais para o seu cão.
 
Sinais clínicos:
- Vómito
- Diarreia
- Aumento da temperatura corporal
- Aumento dos reflexos
- Rigidez muscular
- Respiração rápida/ofegante
- Aumento da frequência cardíaca
- Diminuição da pressão arterial
- Convulsões
- Falha cardíaca
- Fraqueza
- Coma
 


A quantidade e o tipo de chocolate ingerido são importantes, sendo factores determinantes na gravidade da intoxicação. Assim, deve ter em conta que quanto mais escuro for o chocolate, maior a quantidade de cafeína e teobromina, logo maior a gravidade da intoxicação. Da mesma forma, quanto maior a quantidade de chocolate ingerido maior é o grau de envenenamento.

Em certas quantidades pode ser tóxico para qualquer animal, desta forma não alimente o seu animal com produtos que contenham chocolate e mantenha-o fora do alcance deste.
Diagnóstico: O seu médico veterinário realizará um exame físico detalhado e análises sanguíneas e de urina. Podendo ser necessários exames complementares como electrocardiograma para detectar anomalias no ritmo e batimento cardíaco.

Tratamento: O seu cão deve ser visto de imediato por um médico veterinário. Até visitar o seu veterinário deve tentar mante-lo calmo e num espaço tranquilo. O tratamento é estabelecido em função dos sintomas que o seu cão demonstrar. À posteriori, o cão deve ser mantido numa dieta branda por alguns dias.

Prevenção: É crucial para a saúde do seu animal de estimação para manter produtos de chocolate fora do seu alcance, já que não há antídoto para a toxicidade do chocolate.
Adaptado de: http://www.petmd.com/dog/conditions/digestive/c_multi_chocolate_toxicity?page=2

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Plantas - Venenos do nosso jardim

É preciso estar ciente dos potenciais perigos das plantas de Primavera para o nosso animal de estimação, para que este esteja seguro e o jardim não seja nenhuma ameaça.

1.Tulipas e jacintos: 
Ambas as plantas contêm substâncias tóxicas alergénicas, que estão em maiores concentrações no bolbo destas plantas (comparativamente com a flor ou folha). Preste especial atenção quando o seu cão desenterra alguma coisa no jardim, uma vez que a mastigação e ingestão de certas partes destas plantas causam irritação dos tecidos da boca e esófago. Os sinais típicos incluem salivação excessiva, vómitos, ou ainda diarreia dependendo da quantidade ingerida. Não há um antídoto específico, mas com os cuidados médicos apropriados (lavagem da boca, medicação para vómito, diarreia e soro), o seu animal de estimação poderá ficar bem. Com a ingestão de grandes quantidades a sintomatologia pode ser mais grave, tais como aumento da frequência cardíaca e dificuldades respiratórias sendo a ajuda do seu médico veterinário indispensável nestas situações. 

2. Narcisos
Estas plantas contêm licorina, uma substância que desencadeia o vómito. A ingestão da flor, caule ou bolbo pode causar vómito intenso, diarreia, dor abdominal, e até arritmias cardíacas e depressão respiratória. Os cristais de licorina localizam-se na camada externa dos bolbos, o que conduz a uma grande irritação e grande salivação secundária. A sua ingestão pode provocar sinais clínicos muito graves, por isso se houver contacto do seu animal com estas plantas, procure o seu médico veterinário.

3. Lírios

Existem vários tipos de lírios, uns têm com características tóxicas e outros são menos agressivos quando em contacto com os nossos animais de estimação. Os mais inofensivos contêm cristais de oxalato que causam irritação da boca, língua, faringe e esófago, levando à salivação excessiva do animal. Os mais perigosos são potencialmente fatais e altamente tóxicos para gatos. A ingestão de pequenas quantidades (2 a 3 pétalas ou folhas) pode resultar em insuficiência renal grave, daí que se vir o seu gato a ingerir este tipo de planta deve procurar o seu médico veterinário o mais rápido possível. Se possível colha um pouco da planta e leve-a consigo, desta forma o veterinário conseguirá identificar a causa da falha renal e iniciar o tratamento o mais rapidamente possível, visto que quanto mais célere se atuar melhor é o prognóstico. A indução do vómito e a administração de substâncias (p.e. carvão activado) pouco tempo após a ingestão pode ajudar na fase de descontaminação. Para além disso a terapia agressiva com fluidoterapia, análises de monotorização renal e outros cuidados médicos, podem ajudar a estabilizar o seu animal.

4. Açafrão
A ingestão deste tipo de planta conduz a desconforto gastrointestinal, incluindo vómitos e diarreia. É necessário ter atenção à espécie que se desenvolve no Outuno (Colchicum autumnale ou Açafrão do Prado), uma vez que é altamente tóxica devido à colchicina fazer parte da sua constituição. Esta é capaz de induzir o vómito, hemorragias gastrointestinais, problemas hepáticos, renais e insuficiência respiratória. Os sinais podem começar a manifestar-se de imediato ou depois de alguns dias, desta forma se observar a ingestão desta planta leve de imediato o seu animal ao veterinário.

5. Lírio do Vale
Esta planta contém glicosídeos cardíacos que causam sinais como vómito, diarreia, diminuição da frequência cardíaca, alteração do ritmo cardíaco e possivelmente convulsões. Animais expostos a esta planta devem ser analisados, avaliados por um veterinário e tratados sintomaticamente.

Para além das plantas, os fertilizantes também são perigosos. Com a chegada da Primavera, a utilização destas substâncias aumenta, sendo necessário saber que a maioria não é tóxica, resultando em irritação gastrointestinal menor quando consumido, mas que outros são potencialmente fatais sem tratamento.

1.Farinha de sangue
Este fertilizante é sangue seco, moído e congelado, que contém 12% de nitrogénio. Embora seja um excelente fertilizante, se ingerido pode causar vómito e diarreia, mas também pancreatite (inflamação do pâncreas) que é uma doença potencialmente fatal.

2.Farinha de osso
Este fertilizante resulta do desengorduramento, secagem, moagem e congelamento de ossos moídos de animais, o que o torna tão palatável para o seu animal de estimação. Apesar de ser um bom adubo orgânico, ao ser ingerido forma uma bola de cimento a nível do estômago e/ou intestino, podendo levar a uma obstrução gastrointestinal, que apenas se resolve com cirurgia.

3. Fertilizantes de plantas e flores

Alguns destes tipos de fertilizantes contêm organofosfatos, que apesar da sua utilização ter diminuído devido aos efeitos nefastos que causam no Ambiente e consequentemente no Homem, podem ser responsáveis por alguns sinais com lacrimejamento, salivação, convulsões, dificuldade respiratória e hipertermia, que por vezes pode ser fatal.

4. Pesticidas e inseticidas

A maioria (principalmente aqueles que se apresentam em lata de spray) é irritante para os animais de estimação, e geralmente não são grande preocupação, a menos que os sinais se tornem persistentes. Alguns podem conter organofosfatos responsáveis por determinados sinais como lacrimejamento, salivação, convulsões, dificuldade respiratória e hipertermia, podendo ser potencialmente fatal. Procure de imediato o seu médico veterinário.

5. Produtos com ferro
Este ião é comumente adicionado a fertilizantes, resultando em toxicidade. Grandes ingestões podem causar vómito, diarreia com sangue e ter efeitos prejudiciais na função cardíaca e hepática.

A melhor forma de se evitar este tipo de acidentes com o seu animal de estimação é ter conhecimento das toxinas que temos em casa e no jardim. Mantenha todos os produtos rotulados, em recipientes bem fechados e fora do alcance do seu animal de estimação. Em caso de exposição do seu animal a estes venenos, procure o seu médico veterinário de imediato.

Adaptado de: http://www.petpoisonhelpline.com/pet-owners/seasons/spring/

sábado, 19 de julho de 2014

Medicações Humanas que são venenos para os animais de estimação

As intoxicações com medicações Humanas são muito comuns, ou porque o animal tem acesso a eles ou porque o dono bem intencionado administra a sua medicação na tentativa de aliviar um problema de sáude, que em vez de ajudarem podem mesmo matar o seu cão ou gato.

1. Anti-inflamatórios não esteróides (Brufen, voltaren): É a medicação que usualmente se tem em casa e a que mais vezes é administrada pelo dono ao seu animal de estimação. Embora estas medicações sejam seguras para o Homem, basta que 1 ou 2 comprimidos sejam administrados ao seu cão ou gato para lhe causar grandes problemas de sáude, uma vez que podem desenvolver úlceras gástricas e intestinais muito graves, e podem inclusivé ficar insuficientes renais.

2. Paracetamol (benuron, panasorbe): Este é um medicamento muito popular para o controlo da dor. Apesar de este ser seguro, mesmo para crianças, isso não se verifica nos nossos animais- especialmente nos gatos. Nos gatos, apenas 1 comprimido pode causar lesão nas células vermelhas do sangue, limitando a sua capacidade para transportar oxigénio, insuficiência renal, hepática e até morte. No cão, o paracetamol também pode conduzir à insuficiência hepática.

3. Antidepressivos: Apesar desta medicação ser ocasionalmente administrada aos seus animais por um médico veterinário, uma dose mais elevada e tóxica pode ser facilmente alcançada e provocar problemas neurológicos sérios como: sedação, incoordenação, tremores e convulsões. Alguns antidepressivos têm efeito estimulante, levando a um aumento perigoso da sua frequência cardíaca, pressão sanguínea e temperatura corporal. 

4. Ansiolíticos (Xanax): No Homem este tipo de medicação ajuda a reduzir a ansiedade e a dormir melhor, no entanto, nos animais pode ter o efeito oposto. Cerca de metade dos cães que o ingerem acidentalmente fica agitado em vez de tranquilizado. Para além disso, podem causar: letargia, incoordenação, e leva-os a respirar mais lentamente. Em gatos, algumas formas de ansiolíticos podem causar insuficiência hepática quando ingeridos.

5. Pílula (estrogénios, estradiol, progesterona): As medicações para o controlo da gravidez vêm normalmente em blisters, e os cães acham-nos irresistíveis. Felizmente a ingestão de pequenas quantidades não causam problemas. No entanto, a ingestão de grandes quantidades pode causar a supressão da medula óssea, impossibilitando-a de produzir as células que habitualmente constituem o sangue.

6. Inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECAs) (enalapril, captopril): Estes fármacos são administrados ao Homem para controlar a pressão sanguínea e, ocasionalmente, são administrados em animais. Embora estas substâncias possam levar à diminuição acentuada da pressão arterial, a tonturas e fraqueza, esta categoria de medicamentos é bastante segura. Os animais que as ingerem devem ser monitorizados pelo seu médico veterinário, principalmente animais que sofram de doença cardíaca ou renal.

7. Bloqueadores beta-adrenérgicos (carvedilol): São utilizados no controlo da pressão sanguínea, mas contrariamente aos IECAs, basta a ingestão de pequenas quantidades para causar intoxicações. Estes medicamentos podem ser fatais, uma vez que diminuem de forma acentuada a pressão sanguínea e a frequência cardíaca.

8. Hormonas da tiróide (Levotiroxina sódica): Os animais, especialmente o cão, necessitam de uma dose superior de hormonas tiroidéias do que o Homem, assim quando o animal ingere acidentalmente este tipo de medicação, raramente causa problemas. No entanto, doses elevadas levam a tremores musculares, nervosismo, respiração acelerada, frequência cardíaca aumentada e agressividade.

9. Medicação para diminuir o colesterol (Sinvastatina; Lovastatina): Apesar dos animais não terem grandes elevações do colesterol, eles podem ter acesso à sua caixa de medicação. Felizmente, a sua ingestão apenas costuma causar vómitos e diarreia. Efeitos secundários mais graves apenas costumam aparecer após a administração a longo prazo.

Mantenha sempre as medicações fora do alcance do seu animal de estimação e não administre medicações sem consultar o seu médico veterinário. Em caso de ingestão pelo seu animal de estimação, consulte o seu médico veterinário o mais rápido possível. 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Sinais de envenenamento em cães e gatos


Os sinais de envenenamento podem variar muito consoante o tipo de veneno subjacente. Quando o seu gato ou cão tem acesso e/ou ingere venenos deve procurar ajuda imediata do seu médico veterinário, uma vez que quanto mais cedo for tratado mais hipóteses temos de obter um bom resultado.
Embora esta lista não seja exaustiva ou completa, alguns sinais mais comuns de intoxicação incluem:

Sinais gastrointestinais:
Vómito
Diarreia
Aumento da salivação
Prostração
Náusea.

Hemorragias internas:
Tosse com sangue
Vómito com sangue
Mucosas pálidas
Aumento da frequência cardíaca
Fraqueza e prostração
Colapso.

Insuficiência renal:
Halitose (cheiro urémico)
Prostração
Vómito
Diarreia
Excesso de sede e aumento da urina
Ausência ou diminuição de urina.

Insuficiência hepática:
Mucosas amarelas/ictéricas
Fraqueza ou colapso secundária à falta de açucares
Vómito
Diarreia
Sangue nas fezes
Comportamento anormal

Sinais neurológicos
Salivação
Tremores
Fraqueza
Perda de consciência
Convulsões 


Caso detecte algum sintoma destes no seu animal contacte o médico veterinário o mais rápico possível. Nunca dê nada ao seu animal sem o conselho do médico veterinário pois certos venenos podem actuar ainda mais rapidamente em conjunto com outros produtos como o azeite ou o leite por exemplo.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Intoxicação por pesticidas insecticidas

Os organofosforados e os carbamatos são pesticidas insecticidas que se encontram frequentemente em produtos de uso doméstico e agrícola na forma de pós, sprays, coleiras, champôs e soluções usadas para matar pulgas e carraças em animais e outros insectos indesejados, com os mais variados nomes comerciais.

Tanto os organofosforados como os carbamatos são altamente tóxicos para os animais (principalmente gatos) e para o Homem mas pelo seu baixo preço e facilidade de compra são ainda muito utilizados tanto na agricultura como nos animais. Estes compostos causam intoxicação tanto por absorção cutânea como por ingestão ou por via respiratória, sendo depois distribuídos pela corrente sanguínea a todos os órgãos.
O efeito tóxico é devido ao bloqueio da inibição dos estímulos nervosos e estes ficam descontrolados causando:
- Hipersalivação
- Lacrimejar, corrimento nasal
- Cólicas e diarreia
- Anorexia, náuseas e vómito
- Diminuição da frequência cardíaca
- Dificuldade respiratória devido a acumulação de secreções
- Hiperactividade, ansiedade ou depressão
- Convulsões

Estes insecticidas tem efeitos muito prolongados pelo que havendo exposições repetidas aos produtos a intoxicação é cumulativa, ou seja, os efeitos serão cada vez mais graves. Em casos de exposição a grandes quantidades destes produtos pode haver morte imediata do animal devido a paragem respiratória.

O diagnóstico da intoxicação por carbamatos ou organofosforados é feito com base na história de exposição a um ou mais produtos contendo estes insecticidas, sinais clínicos e análises sanguíneas. Em caso de morte o diagnóstico pode ser feito através de análises a alguns órgãos onde estes químicos se acumulam, sendo mais difícil detectar a presença de carbamatos pois degradam-se mais rapidamente.

Em caso de exposição através da pele o animal deve ser lavado com água abundante e sabão para impedir a absorção do produto, em caso de ingestão não se deve provocar o vómito mas dar medicação que diminua a absorção intestinal.

O tratamento passa pela administração de soro, de antídotos que ajudam a reverter alguns sinais clínicos e medicação para controlar as convulsões. O prognóstico é reservado em todos os casos de intoxicação por estes produtos.
Para prevenir este tipo de intoxicação deve-se evitar o uso de produtos contendo este tipo de pesticidas nos animais e em todos os locais com que os animais possam contactar. Estes pesticidas também devem ser manuseados com muito cuidado pelos humanos evitando qualquer contacto com a pele ou mucosas.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Análises sanguíneas

Actualmente as análises laboratoriais em conjunto com outros meios auxiliares de diagnóstico (raio x, ecografia, etc) são ferramentas importantes para o trabalho dos médicos veterinário. As análises sanguíneas permitem:

- Ajudar a diagnosticar doenças nos animais de companhia,

- Avaliar o seu estado antes de uma cirurgia,

- Monitorizar a resposta a certos tratamentos,

- Monitorizar animais geriátricos que têm mais predisposição para que alguns órgãos possam deixar de funcionar correctamente.

As análises clínicas por si só não permitem na maioria dos casos dar uma resposta definitiva acerca da doença que o animal tem, muitas vezes dão apenas pistas que devem ser interpretadas em conjunto com os sintomas, a avaliação clínica do estado do animal e até outros exames complementares para que se possa chegar a um diagnóstico.

Existem vários tipos de análises sanguíneas que podem ser efectuados, por exemplo:

- Hemograma: faz a contagem dos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Permite saber se o animal está anémico, dá indicações sobre a existência de infecções ou de diminuição das defesas do organismo (glóbulos brancos) e permite saber se há diminuição das plaquetas.

- Bioquímicas sanguíneas: possibilita verificar se alguns órgãos estão com as suas funções normais ou não (rins, fígado, etc).

- Análises para despiste de parasitas sanguíneos: podem ser feitos através de vários métodos dependendo do parasita que se procura. A dirofilariose e a babesiose por exemplo podem ser diagnosticadas por observação ao microscópio de um esfregaço de sangue enquanto a leishmaniose geralmente é diagnosticada através de ELISA ou imunofluorescência indirecta.

- Análises para despiste de vírus: através de análises de sangue podemos fazer o diagnóstico de infecções virais como a imunodeficiência felina (FIV), leucemia felina (FeLV) ou esgana.

- Análises hormonais: avaliam o funcionamento da glândula supra-renal, da glândula tiróide entre outras, que causam doenças graves nos animais de companhia.

- Análises toxicológicas: determinam se um determinado tóxico está presente no organismo.

Alguns tipos de análises podem ter falsos positivos ou falsos negativos. Na origem disso pode estar resultados cruzados com outras doenças (o animal é positivo a outra doença) ou falhas da reacção considerada normal do organismo do animal ao agente em questão.

É importante salientar que na prática não é possível determinar todos os parâmetros, testar todos os vírus possíveis, detectar qualquer tóxico, … Em termos económicos e de tempo seria incomportável. Conforme a suspeita clínica serão escolhidos os parâmetros considerados mais relevantes.

Em caso de dúvidas peça ao seu médico veterinário que o esclareça sobre a pertinência das análises requeridas e sobre a interpretação dos resultados.

sábado, 28 de agosto de 2010

Intoxicação por rodenticidas anticoagulantes - VENENO PARA RATOS

O uso de raticidas ou rodenticidas é muito comum no dia-a-dia para eliminar ratos e outros roedores indesejados. Por isso são uma forma habitual de envenenamento em cães e gatos quer por ingestão directa do produto ou por caçarem roedores envenenados.

Os cumarínicos (warfarina, brodifacoun, difenacoun, bromadiolona, entre outros) são as substâncias mais usadas para matar ratos e outros roedores. Todos eles actuam como antagonistas da vitamina K impedindo a formação de factores de coagulação do sangue no fígado e provocando hemorragias graves por todo o organismo. Isto causa uma morte lenta e assim os ratos não associam a ingestão do produto à morte, tornando-se mais eficaz do que outros raticidas que causam morte imediata. Normalmente são vendidos na forma de pós sem cheiro nem sabor ou como iscos com cores e cheiros apelativos para os animas.

Devido à sua acção lenta é necessária a ingestão de grandes quantidades ou de doses repetidas do produto para causar a morte de qualquer animal. Algumas doenças e medicamentos que provoquem deficiência nos factores de coagulação podem fazer com que os animais fiquem envenenados com menos quantidade de rodenticidas.

Os sintomas apresentados são:

- Fraqueza

- Depressão

- Mucosas pálidas

- Vómito com ou sem sangue

- Diarreia com sangue

- Hemorragias na pele e mucosas (petéquias)

- Sangramento pelo nariz

- Anemia

-Taquicardia

- Dificuldade respiratória devido a hemorragia pulmonar

- Choque

- Morte devido a hemorragia cerebral ou generalizada

O diagnóstico é feito com base na história de uso de raticidas cumarínicos na zona frequentada pelo animal, através de análises sanguíneas e também de radiografia e/ou ecografia.

O tratamento é feito tentando que o animal elimine o produto ingerido através de lavagens gástricas e carvão activado, administração de fluidos (soro) e pela administração do antídoto, a vitamina K1 por períodos mais ou menos prolongados. Em casos mais graves pode ser necessária uma transfusão de sangue.

Para prevenir este tipo de intoxicações deve evitar-se o uso destes raticidas em zonas frequentadas por animais e não deixar as embalagens ao seu alcance. No caso dos gatos deve evitar-se que apanhem ratos uma vez que além de transmitirem doenças podem estar envenenados.

sábado, 31 de julho de 2010

Intoxicação por piretróides em gatos

A maior parte dos casos de intoxicação por piretroides ou piretrinas (insecticidas usados no controlo de pulgas e carraças) é causada por ingestão acidental destes produtos ou pela sua aplicação indevida. Os piretróides mais utilizados em medicina veterinária são a bioaletrina, a cipermetrina, a deltametrina, a flumetrina, a fenotrina e a permetrina.

Os cães são capazes de inactivar este químico no fígado e por isso os desparasitantes que o contêm podem ser usados com segurança. Nos cães as piretrinas só são tóxicas quando são ingeridos em conjunto com outros compostos insecticidas que potenciam a sua acção como os carbamatos.

Os gatos são bastante mais sensíveis a estes químicos, principalmente os gatos jovens e podem ficar intoxicados pela ingestão, inalação ou contacto com a pele. As pipetas e coleiras antiparasitárias para cães que contêm piretrinas (Advantix, Pulvex, Scalibor por ex.) são muito tóxicas para os gatos e quando absorvidas pela pele causam sintomas semelhantes aos da ingestão e também podem causar a morte do animal.

A intoxicação por produtos com piretrinas causa sintomas neurológicos e musculares agudos em gatos:

- Salivação excessiva

- Tremores

- Convulsões

- Dificuldade e até paragem respiratória

- Diarreia e vómitos

- Depressão ou aumento da excitabilidade

- Febre ou temperatura baixa

- Inflamação, descamação, quando o contacto é pela pele

- Morte

O diagnóstico da intoxicação é feito com base na história de exposição a produtos contendo piretróides (aplicação de pipetas/coleiras ou ingestão/contacto com pesticidas).

No caso de a contaminação ser por contacto com a pele deve-se lavar o animal com água morna e sabão, nunca com água quente porque aumenta a absorção do produto pela pele. Se tiver havido ingestão do produto nunca deve ser dado leite ou alimentos gordurosos como o azeite porque aumentam a sua absorção pelo organismo. Em vez disso o animal deve ser levado ao veterinário para ser tratado de acordo com os sintomas presentes.

O prognóstico varia consoante a sensibilidade do animal ao produto mas na maioria das vezes o prognóstico é reservado.

Deve sempre:

- Ler cuidadosamente as embalagens dos produtos que aplica (champôs, pipetas, coleiras) para verificar se pode ser aplicado em gatos.

-Ter em atenção que existem coleiras e pós insecticidas para gatos contendo piretrinas como a permetrina, que apesar de serem mais económicos apresentam risco de intoxicação para o gato quer pelo contacto com a pele quer se o gato os lamber.

- Quando colocar pipetas no cão evitar que o gato vá lamber o produto do pêlo do cão.

Se o animal apresentar sintomas suspeitos de ter sofrido uma intoxicação por piretrinas deve levá-lo imediatamente ao veterinário para lhe possa ser feito o tratamento mais adequado.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

INTOXICAÇÃO POR PARACETAMOL

O paracetamol é um fármaco analgésico e antipirético muito utilizado em Medicina Humana (Bem-U-ron, Panasorbe, Panadol, Tylenol, etc). É um fármaco considerado inofensivo e seguro, muito utilizado em crianças, dada a sua elevada margem de segurança no ser humano. Mas este fármaco é extremamente tóxico para os animais de companhia, principalmente para os gatos mas também para os cães.

Este medicamento é metabolizado (eliminado) por certas enzimas no fígado. Mas a actividade destas enzimas nos gatos é bastante reduzida levando a uma acumulação de produtos intermédios muito tóxicos. Metade de um comprimido de 500 mg pode ser fatal para um gato de tamanho médio.

Os sintomas são:

-cianose (coloração azulada das mucosas)

-edema da face e dos membros

-dificuldades respiratórias

-prostração

-temperatura corporal baixa

-vómitos.

- A situação pode evoluir para coma e morte.

Existe um antídoto para esta intoxicação, mas pode requer tratamento por alguns dias com internamento, fluidoterapia e oxigenoterapia. O sucesso do tratamento depende do intervalo de tempo entre a intoxicação e o início do tratamento.

Uma suposta febre, um traumatismo ligeiro podem transformar-se numa doença grave, pela administração incorrecta de medicamentos de medicina humana. Existem medicamentos específicos para os animais com as concentrações mais indicadas para o seu peso e para cada espécie.

Apenas o seu médico veterinário está qualificado para o aconselhar no tratamento do seu animal de companhia. Um telefonema pode fazer a diferença entre a vida e a morte do seu animal.