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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Coelhos - Cuidados Gerais III

Vacinação e desparasitação
Existem duas vacinas para coelhos, a da mixomatose e a da doença vírica hemorrágica, ambas doenças exclusivas dos coelhos.


A mixomatose é causada por um vírus que se transmite por contacto com coelhos infectados ou através de insectos. Os animais doentes apresentam conjuntivite, corrimento purulento nos olhos e lesões em volta dos olhos, orelhas, ânus e genitais e geralmente a doença acaba por ser fatal. A vacina deve ser dada a partir dos 2 meses de idade e repetida anualmente.

A doença vírica hemorrágica é causada por um vírus. Transmite-se por: contacto entre coelhos doentes, insectos, ingestão de água ou comida contaminada ou contacto com objectos contaminados (jaulas, bebedouros, comedouros, etc). Os sinais da doença são corrimento nasal hemorrágico, prostração, falta de apetite e muitas vezes o animal acaba por morrer em poucos dias. Este vírus é muito resistente no ambiente podendo sobreviver mais de um ano em locais infectados.
A vacina para esta doença deve ser dada a partir dos 2 meses e repetida anualmente ou de 6 em 6 meses, conforme o risco de contaminação.

A desparasitação interna deve ser feita no mínimo de 6 em 6 meses, com xarope, injecção ou spot-on (pipeta) de acordo com as indicações do médico veterinário.
A desparasitação externa deve ser feita mensalmente em animais que tenham acesso ao exterior com um spot-on (pipeta).

Problemas médicos mais comuns
Crescimento dentário: a sua dentição é composta por incisivos que usam para cortar a comida e por molares que se encontram na parte de trás da boca e que moem os alimentos. Todos os dentes são de crescimento contínuo pelo que necessitam de comer alimentos ricos em fibra para os desgastar. Há ainda inúmeros brinquedos e suplementos que se porem dar para prevenir este problema (ver aqui http://bichoscaprichosvet.blogspot.com/2009/05/patologia-dentaria-em-coelhos.html)

Alterações gastrointestinais: podem ser causados por alimentos aos quais sejam sensíveis, bactérias, vírus, stress, obstrução por corpos estranhos ou pêlo.
Em casos de diarreia deve ser retirado o alimento suspeito de a ter causado e se esta não parar e o animal tiver falta de apetite deve ser levado ao médico veterinário.
Quando o coelho não come durante 24 horas também deve ser levado ao médico veterinário pois após este período o animal corre risco de vida. Este comportamento está relacionado com problemas dentários, dor ou stress.

Alterações neurológicas: podem acontecer em coelhos desde a nascença, serem súbitas ou progressivas. Os sintomas vão desde o animal pôr a cabeça de lado até convulsões e as causas podem ser golpes de calor, otites, parasitas, vírus e bactérias.


Alterações respiratórias: as causas mais comuns são vírus (mixomatose e doença vírica hemorrágica) e bactérias (Pasteurella). A pasteurelose é uma das doenças respiratórias mais comuns, sendo transmitida por contacto directo com coelhos infectados, objectos contaminados ou por secreções de animais infectados. Os sinais mais comuns são rinite, conjuntivite, corrimento purulento nos olhos ou nariz, abcessos e pneumonia.

Alterações cutâneas: tal como outros animais podem ter infestações por pulgas e carraças que se alimentam do seu sangue e podem ser eliminadas com desparasitação externa regular.
Para além disso ocorrem frequentemente infestações por ácaros e fungos, principalmente quando não conseguem fazer a sua higiene de forma adequada. Nestes casos há descamação da pele, comichão e algumas zonas sem pêlo.
Quando alojados em zonas onde o piso é irregular, está muito sujo e/ou quando são obesos, os coelhos podem apresentar pododermatites (zonas sem pêlo e inchadas nas patas traseiras) que devem ser tratadas de forma a que não se formem feridas.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Coelhos - Cuidados gerais II

Higiene

A jaula deve ser limpa pelo menos uma vez por semana, ou com mais frequência quando passam muitas horas dentro dela. O piso da jaula molhado predispõe a úlceras nas patas e o risco de doenças respiratórias aumenta quando há grandes acumulações de urina. Os coelhos eliminam o cálcio na urina pelo que por vezes a sua urina pode ser bastante espessa e ter uma cor alaranjada sem estarem doentes.
De madrugada os coelhos produzem fezes mais moles, ricas em nutrientes e vitaminas, que ingerem para sofrerem uma segunda digestão. Quando há alterações nos dentes ou obesidade, o animal não consegue realizar esta rotina e estas fezes podem acumular-se no pêlo, podendo alojar insectos indesejáveis. Nestes casos deverão ser limpos com água e sabão e o pêlo deve ser bem seco.
Na maior parte dos casos os coelhos escolhem um local onde fazem as fezes e urina, por isso podem ser habituados usar uma caixa própria para esse efeito, com o fundo coberto com o mesmo material que a jaula.
O banho frequente não é aconselhado uma vez que os coelhos tratam da sua higiene diária e têm uma pele sensível. Caso haja necessidade de dar banho devem ser bem secos no final pois a humidade predispõe a problemas de pele. Devem ser escovados frequentemente para eliminar pêlos mortos, evitando a sua ingestão. Caso haja uma grande ingestão de pêlos ao fazer a sua higiene é aconselhável fornecer-lhes produtos próprios para ajudar a eliminação de pêlos do intestino, principalmente em coelhos de pêlo comprido.

Exercício

Como têm os ossos frágeis, além do suplemento de cálcio devem fazer bastante exercício (pelo menos 3 horas por dia) para prevenir a osteoporose. Para isso deve ser disponibilizada uma área da casa ou jardim onde não haja cabos eléctricos, nem plantas ornamentais ou madeiras tratadas que possa roer, uma vez que são muitas vezes tóxicas.
Caso o coelho vá ao jardim, este deve estar acompanhado ou deve ser colocada uma vedação para lhe limitar os movimentos a locais onde não corra perigo. No jardim os coelhos têm tendência para escavar buracos, por isso devem ser colocados em locais onde não seja possível fazê-los.
Devem fornecer-se esconderijos como caixas de cartão ou túneis de plástico ou cartão e estes mesmos esconderijos podem ser usados para colocar frutas e legumes de que o animal goste para que ele seja obrigado a procurá-los.

Reprodução

A sua actividade sexual inicia-se entre os 4 e 9 meses, sendo as raças mais pequenas mais precoces. As fêmeas fazem ciclos de 14 a 16 dias durante os quais estão aptas a acasalar, fazendo paragens de 1 a 2 dias entre ciclos. A gravidez dura cerca de 1 mês, após o qual nascem as crias que são totalmente dependentes do leite da mãe durante 3 semanas. A partir das 4 semanas começam a comer feno tornando-se independentes até às 6 semanas de vida.
Não é aconselhável acasalar coelhos da mesma família (pais, irmãos, etc) pois isto predispõe ao aparecimento de doenças nas ninhadas, desde problemas dentários até alterações neurológicas.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Coelhos – Cuidados gerais I

Os coelhos são animais herbívoros, presas naturais da maior parte dos carnívoros e que vivem geralmente em grandes grupos. Vivem em média 5 a 8 anos, chegando alguns aos 10 anos.

Alimentação

Têm um sistema digestivo muito eficiente podendo alimentar-se por curtos períodos de tempo, para não serem apanhados pelos predadores. Comem várias pequenas refeições por dia pois o seu estômago não tem grande capacidade de dilatação. Por dia devem comer cerca de 50g de alimentos por kg de peso e beber até 50 mililitros de água por kg de peso.
As rações mais indicadas são as que não têm grãos diferenciados porque tendem a ser selectivos escolhendo os componentes mais saborosos da ração, que são os mais pobres em fibra e cálcio. A ração deve ser colocada em taças de metal ou cerâmica que são mais higiénicas e a água deve estar sempre à disposição em garrafas apropriadas, tipo biberão. O feno também deve estar sempre a disposição pois é rico em fibra e estimula a digestão. Quando a sua dieta é pobre em feno, tendem a ter distúrbios intestinais.
Existem pedras de minerais próprias para roerem que ajudam no desgaste dos dentes e suplementam a dieta em cálcio.
Como suplemento vitamínico podem comer a maior parte das frutas e legumes (alface, cebola e alho não são aconselhados).




Alojamento
Os coelhos devem ter uma jaula onde possam ser deixados em segurança enquanto estão sozinhos, de preferência com um fundo em plástico e não em arame para não magoarem as patas. A jaula deverá ter o maior tamanhão possível principalmente se passarem muitas horas dentro dela. O fundo da mesma deve ser forrado com material absorvente como raspas de madeira, papel de jornal cortado ou palha, não sendo aconselhável serradura nem areia pois podem causar problemas se forem ingeridas.
Os coelhos sofrem facilmente golpes de calor pois não aumentam o consumo de água quando a temperatura aumenta nem são capazes de suar. Portanto, devem ser colocados em locais onde as temperaturas rondem os 15 a 20º C e não haja exposição solar directa. No Inverno devem evitar-se locais frios, pois apesar de tolerarem melhor o frio que o calor, estes animais não têm grandes depósitos de gordura e começam logo a tremer.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Patologia dentária em coelhos

Os coelhos são animais que possuem dentes de crescimento permanente, ou seja, que crescem durante toda a sua vida. Por causa desta característica muitas das patologias que se encontram nestes animais estão relacionadas com os dentes.
A sua dentição é composta por 28 dentes, entre molares, pré-molares e incisivos que se desgastam através da mastigação e do contacto entre os dentes superiores e inferiores. Quando o alinhamento entre dentes superiores e inferiores não se faz correctamente o desgaste não ocorre havendo um sobrecrescimento dentário. Esta má oclusão pode dever-se a deformações congénitas, deficiências alimentares (falta de cálcio ou de alimentos fibrosos), traumas, fracturas mandibulares, infecções dos dentes ou tumores afectando a boca.


Os sintomas são geralmente discretos e passam por:
- Diminuição do apetite ou alterações dos hábitos alimentares
- Diminuição da ingestão de água
- Alterações nos seus hábitos de higiene
- Feridas nas bochechas

- Maior abertura do maxilar
- Perda de peso.
Quando as alterações se dão nos incisivos pode ainda haver projecção para fora da boca ou feridas no palato.


Em casos mais graves o crescimento excessivo pode ocorrer ao nível das raízes, como consequência da falta de desgaste. Quando isto acontece pode haver:
- salivação excessiva
- inflamação na zona afectada
- abcessos nas raízes
- sintomas oculares ou nasais.



O tratamento dentário nos coelhos depende das alterações observadas, estando o sucesso do mesmo relacionado com o diagnóstico precoce. Para isso deve ser feito um exame à cavidade oral do animal periodicamente, muitas vezes recorrendo também a radiografias caso se suspeite de envolvimento das raízes dentárias.
Como prevenir é o melhor remédio os animais devem ter a disposição feno, cubos de alfafa, pedras de minerais, madeiras não tratadas para roer e outro tipo de brinquedos próprios para o desgaste dos dentes. Além de os ajudar a manter os dentes saudáveis ajudam-nos a manterem-se activos.