quinta-feira, 23 de maio de 2013

Fístulas e abcessos das glândulas perianais



As glândulas perianais são glândulas sebáceas que existem em diversos mamíferos, incluindo os cães e os gatos. Localizam-se junto à saída do ânus e o seu conteúdo tem a função de marcação de território pois contem feromonas (substâncias químicas com um cheiro único que identificam o animal). Estas glândulas normalmente são esvaziadas quando os animais defecam e o conteúdo tem habitualmente cor amarela acastanhada e um odor forte e desagradável, semelhante a peixe podre. 


A maioria dos animais esvazia naturalmente as glândulas mas se não o fizerem há acumulação de líquido, a zona fica inchada, inflamada e por fim acabam por se desenvolver abcessos que podem rebentar originando fístulas que drenam pús.
A falha no esvaziamento das glândulas anais é mais comum em cães de raças pequenas e está associada a vários fatores como à má localização das glândulas, enfraquecimento dos músculos que exercem pressão sobre as glândulas (em animais obesos ou idosos), a alimentação (pode originar fezes moles que não fazem pressão sobre as glândulas), obstrução dos canais de esvaziamento ou esvaziamento manual excessivo que pode lesar a glândula.


Os animais que não fazem o esvaziamento normal das glândulas perianais apresentam sinais como arrastar a parte traseira no chão, lamber ou tentar morder a zona, andar em círculos e por vezes os donos podem notar um cheiro intenso e desagradável. Em muitos casos a zona fica inchada e vermelha.

Há animais que arrastam o rabo no chão apesar de não terem nenhum problema das glândulas e muitas vezes é devido à presença de parasitas intestinais (ténias) tendo de ser devidamente desparasitados.

Quando há acumulação de líquido nas glândulas perianais e o animal não consegue fazer o esvaziamento sozinho devido a uma má localização devem-se esvaziar manualmente. O esvaziamento é fácil e rápido, sendo apenas necessário exercer alguma pressão sobre cada um dos sacos das glândulas. Se a acumulação de líquido for muito prolongada a consistência altera-se, torna-se mais espesso e pode haver infeção associada formando um abcesso na zona. 

Quando estas situações acontecem deve consultar o médico veterinário que poderá explicar a melhor forma de fazer o esvaziamento caso seja necessário, verificar a periodicidade com que é necessário esvaziar as glândulas e prescrever medicação no caso de já haver infeção. Se o esvaziamento normal das glândulas não for feito devido a alteração da consistência das fezes o médico veterinário poderá também investigar as causas associadas e trata-las adequadamente, pois nesse caso poderá não ser necessário o esvaziamento das glândulas.
Em casos mais graves de fístulas ou tumores das glândulas poderá ser necessário fazer cirurgia para remover as glândulas perianais.

sábado, 16 de março de 2013

Comportamento felino – com evitar os problemas mais frequentes (2ª Parte)



2º - Ter curtos períodos de contacto físico com o gato e permitir que seja sempre ele a iniciá-los

Tal como os humanos, cada gato tem a sua maneira de ser e nem todos são igualmente sociais. Isto é visível no seu comportamento e facilmente se verifica que há gatos que procuram constantemente contacto com pessoas ou outros animais enquanto outros mantém sempre distância e evitam ser acariciados.
O facto de o animal não gostar de contacto físico deve ser respeitado, caso contrário gera-se uma situação de stress que invariavelmente termina em agressividade. Desta forma não se deve dar festas, agarrar ou por um gato ao colo, deve-se sempre esperar que seja ele a iniciar o contacto e também permitir que ele se vá embora quando assim entender. 
Não sendo pressionado o gato poderá ir-se habituando aos poucos ao contacto e apreciar cada vez mais a nossa companhia.

3º - Nunca brincar com o gato com as mãos

Para os gatos as brincadeiras são muito importantes pois vão substituir os comportamentos de caça e evitam que se tornem demasiado passivos. É importante que desde cedo o gato se habitue a brincar com brinquedos e nunca usar as mãos nas brincadeiras pois assim estimula-se a agressividade na brincadeira e a "caça" ao proprietário. Como em muitos casos os gatos preferem ter uma companhia para brincar podem ser usados brinquedos com canas em que eles se fixam na ponta do brinquedo e não nas mãos e também atirar bonecos, bolas ou outros brinquedos para que os cacem.

4º - Ter a água e a comida em locais separados e ter bebedouros automáticos e comedouros interativos

Os gatos tentam reproduzir em casa a alimentação que teriam no seu habitat selvagem, ou seja, tem tendência a comer pouca quantidade várias vezes ao dia e a beber pouca água. Isto reflete o seu estilo de vida de caçador de pequenas prezas que caçava diversas vezes ao longo do dia e tinha de aproveitar a humidade do alimento porque no seu ambiente havia falta de água.

Para aumentar a ingestão de água devemos ter a água e a comida em pontos separados da casa, sempre em zonas calmas, sem ruídos e movimentos inesperados e de onde o gato possa observar o ambiente envolvente. 

É recomendado que se tenha um bebedouro automático em que a água está em movimento para incentivar o gato a beber pois os gatos preferem beber água corrente. Caso não tenha um bebedouro automático deve procurar perceber qual o tipo de bebedouro que o gato prefere, recipientes largos em cerâmica ou metal podem ser mais indicados porque mantêm a água mais fresca.

A comida deve ser escondida em brinquedos ou “comedouros ativos” que obriguem o gato a caçar para comer. Existem diversos modelos de brinquedos que permitem ir aumentando o grau de dificuldade em caçar a comida e também podem ser feitos em casa esconderijos para a comida em diferentes divisões.



5º - Ter torres que permitam ao gato arranhar, brincar e esconder-se

Estes objectos são usados para o enriquecer o habitat pois possibilitam que o gato expresse comportamentos naturais da espécie como trepar, arranhar, vigiar o território e esconder-se quando se sente ameaçado. São peças indispensáveis, principalmente quando há mais do que um animal em casa porque permitem reduzir a tensão territorial, previnem conflitos e também aumentam a actividade do gato evitando o aborrecimento.

terça-feira, 12 de março de 2013

Comportamento felino – com evitar os problemas mais frequentes (1ª Parte)



Os gatos selvagens eram geralmente caçadores solitários, ao contrário dos cães selvagens que caçavam em matilhas e por isso tem comportamentos sociais diferentes. Assim, tendo territórios de caça muito vastos e com diversos esconderijos, os gatos podiam escapar aos contactos indesejados com outros animais da mesma ou de diferentes espécies. Estas diferenças devem ser tidas em conta quando se pensa em ter um gato em casa pois vão implicar necessidade de adaptarmos o nosso comportamento e a nossa casa à sua chegada.

Os problemas de comportamento felino são frequentes e em grande parte devem-se à falta de locais em casa que lhes permitam expressar o seu comportamento normal e evitar situações que os assustam e causam stress como:
- Mudanças de casa ou em casa
- Novos animais (em casa ou na vizinhança)
- Densidade excessiva de animais em casa
- Saída de animais
- Agarrar excessivo (pegar ao colo, dar beijinhos, etc)
- Conflito com outros animais da casa

Nos gatos é muito importante evitar situações de stress crónico porque além de conduzir a problemas comportamentais, causa doenças físicas, como a obesidade, hipertensão e problemas urinários.
Há algumas coisas simples que a maioria das pessoas pode fazer para melhorar a relação com o seu gato e prevenir problemas:

1º - Introduzir novos animais (principalmente gatos) de forma progressiva

Ter dois gatos pode ser benéfico pois assim garantimos que não ficam sozinhos quando saímos de casa e tem sempre um companheiro de brincadeiras. Para quem pensa ter dois gatos é aconselhável que os traga para casa na mesma altura e desde pequenos para que possam habituar-se a partilhar o território e a socializar à medida que crescem. 

Caso se queiram introduzir um gato mais tarde, tendo já um adulto em casa, nunca se deve colocar os dois gatos em contacto de imediato. O gato residente já tem um território estável e a introdução de um novo elemento vai ser uma ameaça ao seu território que pode desencadear agressividade entre os animais.

O novo gato deve ter acesso apenas a uma divisão da casa de cada vez, sem contactar com o gato que já lá estava. Assim o novo gato pode explorar e conhecer cada canto da nova casa sem ser pressionado pelo outro, ao mesmo tempo que o gato residente pode-se ir habituando ao cheiro e presença de um novo elemento em casa. Os primeiros contactos visuais devem ser feitos aos poucos e sempre com uma barreira física pelo meio para que em caso de ataque ninguém se magoe. Assim que os momentos de contacto sejam calmos então os gatos poderão ir convivendo aos poucos no mesmo espaço.
Isto é válido para outros novos elementos em casa, sejam cães ou mesmo pessoas.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Alergias em animais



A alergia é um estado de hipersensibilidade do organismo. Nesta situação, substâncias que habitualmente são inofensivas causam uma reacção exagerada do sistema imunitário. Existem vários agentes que podem ser causadores de alergia chamados alergenos: poléns, fungos, ácaros, substâncias químicas, alimentos e saliva das pulgas.

As alergias podem surgir em todos os animais, fêmeas ou machos de qualquer idade, sendo menos frequentes antes do ano de idade.

As reações alérgicas podem ser devidas a inalação, ingestão ou contacto com os agentes causadores. Muitas vezes o principal sintoma é o prurido (comichão) e os animais coçam-se com as patas, podem lamber-se excessivamente, morder-se ou até arrastar-se no chão ou paredes. Aparecem posteriormente diversas lesões derivadas da comichão como falhas de pelo, vermelhidão da pele, pústulas, escoriações, crostas e infecções por bactérias ou leveduras. Outros sintomas das alergias são otites recorrentes, vómitos, diarreias ou até flatulência.

Dependendo da causa, o animal pode ter sintomas apenas em parte do ano ou durante todo o ano. Por exemplo, se a alergia for a pólens, que existem apenas na primavera, o animal apenas irá manifestar os sintomas nessa época; no caso das alergias alimentares, os sintomas irão permanecer enquanto o animal comer o alimento a que é alérgico.
O diagnóstico é feito muitas vezes através da sintomatologia e da exclusão de outras doenças. Para determinar ao que o animal é alérgico, é possível fazer testes sanguíneos ou intradérmicos.

O tratamento da alergias passa por eliminar o contacto/inalação/ingestão com o(s) alérgeno(s), mas nem sempre é possível. Em qualquer caso, deve-se tentar evitar ao máximo o contacto com o alérgeno causador. No tratamento também pode ser necessário medicação para acalmar o prurido, ou tratamento de infecções secundárias da pele e, em alguns casos, alimentação e suplementos adequados ao problema. Quando o agente causador está definido e não pode eliminar-se completamente o contacto com ele, nalguns casos, pode-se fazer a dessensibilização a alguns tipos de alérgenos através de vacinas.

Assim os animais com alergia à picada da pulga devem estar sempre com a desparasitação externa em dia para evitar que qualquer pulga lhe pique. Já no caso de alergias a produtos químicos ou plantas deve evitar-se o seu uso ou o contacto dos animais com eles. Evitar passear o animal em zonas húmidas e relvados se houver alergias a bolores ou plantas. O ambiente onde o animal vive deve estar sempre limpo para controlar os alérgenos ambientais como ácaros e bolores, tendo sempre uma cama que possa ser lavada frequentemente na máquina de lavar roupa.

Geralmente são situações a longo prazo ou até para toda a vida do animal portanto deve sempre seguir os conselhos do médico veterinário para evitar recaídas.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Leishmaniose canina - Uma doença mortal!



A leishmaniose canina é causada por uma infecção parasitária, transmitida de cão para cão através da picada de flebótomos infectados, uma espécie de mosquitos. Se o seu cão estiver infectado com o parasita, a doença pode não ser detectável de imediato. Os sintomas são variáveis como febre, perda de pêlo (sobretudo à volta dos olhos), perda de peso, feridas na pele, crescimento excessivo das unhas, anemia, artrite e insuficiência renal grave. Esta doença é frequentemente mortal e embora os tratamentos (dispendiosos) permitam controlar os sintomas, não curam a doença. 

Na Europa já existem 2,5 milhões de cães infectados com este parasita.

Rastreie o seu cão para esta doença.
O Outono/Inverno é a altura ideal para fazer o rastreio da leishmaniose canina. Este rastreio pode efectuar-se com uma simples colheita de sangue ao seu cão. Caso o seu animal seja negativo planeie a protecção para o seu cão. Portugal é um país de alto risco e existe agora a possibilidade de vacinar o seu animal contra esta doença. A protecção vacinal deve iniciar-se nesta época (Outono/Inverno) para que o seu cão possa enfrentar a época de maior perigo (Março a Outubro) com um nível elevado de defesas.

A prevenção é a melhor protecção!
A prevenção até agora era feita somente com produtos repelentes do mosquito flebotomos, como coleiras e spot-on específicos.
Após 20 anos de pesquisa, está agora disponível a vacina contra a leishmaniose canina. Com a vacinação é possível elevar o patamar de protecção do seu cão contra esta doença. O programa completo de vacinação inclui três injecções administradas com três semanas de intervalo, e confere ao seu cão uma protecção interna duradoura contra a doença. Depois será necessária apenas uma revacinação anual para manter os níveis de resistência imunitária do seu cão.