segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Brincadeiras destrutivas em gatos

Os gatos são normalmente animais brincalhões mas por vezes as suas brincadeiras normais podem resultar em danos ou situações indesejadas para o dono. Estas situações acontecem principalmente com animais com menos de 2 anos de idade e quando o ambiente é pobre em estímulos ou o animal sofre de falta atenção ou de espaço para se exercitar. Este tipo de comportamento pode também estar associado a animais hiperactivos, que sofrem de distúrbios de comportamento relacionados com reacções exageradas a estímulos, excitabilidade e excesso de actividade. Nestes casos pode prolongar-se durante toda a vida se não forem tratados para o problema.

As queixas mas comuns dos donos são que o gato salta e escala para zonas indesejadas destruindo objectos, empurra objectos para o chão causando activamente destruição e tem brincadeiras exuberantes que causam ferimentos. Todos estes comportamentos tem tendência a ocorrer quando está sozinho ou o dono está ocupado com outras coisas.

De forma a modificar o comportamento do gato devem-lhe ser dadas válvulas de escape para as suas brincadeiras e fazer com que os locais para onde não se quer que ele vá não estejam indisponíveis ou deixem de ser atractivos. Para isso devem ser fornecidas atenção, brincadeiras apropriadas e interacção social, ou seja:

- O dono só deve dar atenção ao gato quando ele estiver calmo e quieto e deve ignorar todas as tentativas de chamar a atenção como dar patadas ou miar.

- Os proprietários devem proporcionar pelo menos 2 sessões de brincadeira por dia ao seu gato com 10 a 15 minutos de duração cada. Se o gato se fartar de um determinado brinquedo deve-lhe ser dado um novo para espicaçar a brincadeira.

- Quando o gato fica sozinho deve ter brinquedos com som e/ou movimento, dispensadores de alimento e estruturas para escalar de forma a estimulá-lo a brincar, tendo em atenção as preferências de cada animal. Não deve usar brinquedos com lãs/fios ou outros que possam ser ingeridos e causar problemas intestinais.

- Os brinquedos devem ser dados alternadamente, trocando-os pelo menos uma vez por semana para permitir que o animal tenha experiências novas.

- Deve incentivar o gato a perseguir e atacar os brinquedos para que ele não tenha esse tipo de comportamento com as pessoas.

- Estimular o animal a usar os arranhadores e torres para escalar colocando petiscos ou pratos com comida nessas estruturas, de forma a evitar que ele suba para mobília.

- Não são aconselháveis reprimendas físicas como bater com os dedos no nariz do gato ou dar uma palmada pois nestes casos pode causar uma resposta agressiva ou medo que poderá levar a agressões futuras.

- É aconselhável aparar as pontas das unhas para ajudar a reduzir os danos causados.

- Pode ainda tornar as áreas que o gato escala desinteressantes usando fita-cola de dupla face ou desencorajadores sonoros como alarmes accionados por detecção de movimento.

Para alguns gatos a companhia de outro animal que tenha aproximadamente a mesma idade pode ser benéfica se os animais brincarem um com o outro fazendo assim diminuir outros comportamentos descontrolados.

Cada dono deve tentar conhecer o seu animal para descobrir quais as melhores brincadeiras e distracções que lhe pode proporcionar para que ele não sinta necessidade de atacar as pessoas ou objectos de casa.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Raças

A raça é um conceito usado para descrever uma população de uma determinada espécie (cães, gatos, etc) a partir das suas características físicas que se transmitem à descendência.

Para certificar que um cão ou gato pertence a uma determinada raça é necessário o registo no Livro de Origens Português (LOP). É um documento no qual podemos verificar a sua ascendência até aos bisavôs e que certifica que toda a família pertence à raça.

Em Portugal, o LOP é gerido pelo Clube Português de Canicultura (CPC) (no caso dos cães) e pelo Clube Português de Felinicultura (CPF) (no caso dos gatos) que estão inscritos na Fédération Cynologique Internationale (FCI) e Federação Internacional Felina (FIF) respectivamente.

Ou seja, como não é viável realizar testes genéticos nem temos possibilidade de garantir a pureza de um animal apenas pelo aspecto físico, ele apenas pode ser considerado de raça se estiver inscrito no LOP.

Para que um animal seja admitido no LOP é necessário que esteja devidamente identificado com um microchip e que cumpra as condições constantes no Regulamento do Livro de Origens Português como por exemplo, os seus progenitores estejam registados no LOP

O registo provisório no LOP deve ser feito pelo criador, sendo o cachorro ou gatinho acompanhado pela folha deste registo. Mais tarde o dono do animal deve fazer o seu registo definitivo para que este fique inscrito no LOP.

Para animais que não tenham registo no LOP mas que fisicamente aparentam ser de uma raça reconhecida pode ser pedido um exame de admissão ao Registo Inicial. Neste exame o animal é avaliado por juízes especialistas na raça e caso tenham as características correspondentes ao estalão da raça pode ser inscrito no livro do Registo Inicial. Este animal será o fundador da sua linhagem e depois a sua descendência poderá ter acesso ao registo no LOP se forem cumpridas as regras exigidas pelo C.P.C ou C.P. F.

Todos os cães e gatos que não tem origens definidas e registadas num LOP são denominados rafeiros ou sem raça definida (SRD) como são geralmente referenciados em textos veterinários. Estes animais são mestiços, ou seja, descendentes do cruzamento de outros mestiços ou de progenitores de raças diferentes. Encontram-se SRDs de todas as cores e tipos, de todos os temperamentos. E são companheiros tão ou mais fantásticos que outros de raça pura.

O animal pode ter a aparência de uma determinada raça mas só o registo no LOP o atesta. Se a sua intenção é adquirir um animal de alguma raça, peça sempre este documento. Principalmente no caso de animais jovens, pois podem ter uma aparência idêntica mas que depois se altera com o crescimento e ficar completamente diferente.

Lembre-se sempre que o facto de o seu cão ter registo no LOP só garante que ele é um exemplar de raça pura, não certifica que ele está livre de doenças ou que tem determinado tipo de temperamento. Consulte o seu médico veterinário.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

CAO SEM SEGREDOS - Livro


O Hospital Veterinário de Montenegro vai lançar, no próximo dia 6 de fevereiro, “Cão Sem Segredos”, um livro que aborda as temáticas da saúde e comportamento destes animais. A sessão de apresentação terá lugar em Matosinhos e contará com a presença de Laurentina Pedroso, Bastonária da Ordem dos Médicos Veterinários.

Segundo Luís Montenegro, Diretor Clínico do Hospital, “os temas abordados ao longo de 18 capítulos passam pela profilaxia, nutrição e cuidados especiais. Queremos, sobretudo, esclarecer dúvidas, elucidar os donos sobre os sinais de alerta e informar sobre os métodos de diagnóstico e tratamentos disponíveis”.

“A cada capítulo corresponde um tema e cada tema tem um autor diferente, sendo o nosso objetivo que esta compilação seja o mais diversificada, esclarecedora e atualizada possível, de maneira a fornecer aos donos o conhecimento sobre o correto tratamento dos seus cães”, explica Luís Montenegro.

http://www.veterinaria-actual.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=1280&Itemid=1

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Viajar com o seu animal de companhia para o estrangeiro

Hoje em dia muitas pessoas levam os seus animais de companhia em viagem para o estrangeiro, quer seja porque decidem ir morar para outro país ou simplesmente porque vão de férias. No caso de o animal de estimação se tratar de um cão, gato ou furão existem vários procedimentos que devem ser realizados antes da viagem para que o animal possa entrar no país de destino. Esses procedimentos variam de país para país mas no caso da União Europeia foram estabelecidos através de uma legislação comum.

As restantes espécies de animais de companhia como as aves, répteis e roedores devem respeitar a legislação do país para o qual pretendem viajar que pode ser consultada aqui.

Para circular entre a maioria dos Estados Membros da Comunidade Europeia os cães, gatos e furões têm de:

- Estar identificados com um microchip ou uma tatuagem claramente legível (a tatuagem só será aceite até 3/07/2011)

- Ser acompanhados por um Passaporte para animais de companhia emitido por um Médico Veterinário habilitado que comprove que o animal foi sujeito a uma vacinação anti-rábica (raiva) válida. Para este efeito consideram que a 1ª vacinação da raiva é válida 21 dias após a sua administração e um reforço da vacina da raiva é válido a partir da data da administração se for feito antes de ter expirado o prazo da vacinação anterior. Nos casos em que o reforço seja feito após a data de validade da vacina anterior é considerado como 1ª vacinação.

Os cães, gatos e furões com idade inferior a 3 meses não podem circular para fora do pais até terem atingido a idade suficiente para serem vacinados contra a raiva. Apesar disso, os outros países podem autorizar a entrada destes animais no seu território se:

- Estiverem identificados com um microchip ou uma tatuagem claramente legível (a tatuagem só será aceite até 3/07/2011)

- Forem acompanhados por Passaporte para animais de companhia emitido por um Médico Veterinário habilitado

- Acompanhados por uma declaração do proprietário/responsável pelo animal inscrita no ponto XI. Outros do seu Passaporte, em como os animais permaneceram no local onde nasceram, sem contacto com animais selvagens susceptíveis de terem sido expostos à infecção pelo vírus da Raiva

Ou

Acompanhados pela mãe de que ainda dependem, devendo esta última circular com tudo o que é exigido para os animais adultos.

Mais informações sobre as condições em que os animais com idade inferior a 3 meses podem circular dentro da Comunidade Europeia podem ser vistas aqui.

Existem países como o Reino Unido, Irlanda, Malta, Chipre, Suécia e Finlândia que apesar de pertencerem à Comunidade Europeia têm exigências adicionais relativamente à vacinação da Raiva, à prevenção da Equinococose (parasitas internos) e das carraças. Esses procedimentos adicionais podem ser consultados aqui.

Se estiver a pensar viajar com o seu animal de estimação para outro país deve contactar com pelo menos 6 meses de antecedência o seu Médico Veterinário ou a Direcção Geral de Veterinária para se informar sobre tudo o que necessita de fazer para poder viajar descansado.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Porque se esfregam os gatos? Marcação de território

Quem tem gatos já conhece este comportamento felino. O gato esfrega-se contra objectos e pessoas e outros animais, com a testa e com a parte lateral do corpo, como se estivesse a roçar-se.

Este comportamento é uma forma de libertar e impregnar o local/pessoa/animal de feromonas. Os gatos possuem glândulas na testa, ao redor dos lábios, nas patas e nas partes laterais do corpo que segregam feromonas. As feromonas são substâncias químicas que transmitem mensagens entre animais da mesma espécie e são diferentes de animal para animal. Imperceptíveis para nós, as feromonas permitem que outro gato saiba que aquele gato passou por ali, deixou a sua marca e transmite uma série de informações sobre o emissor.

O gato esfregar-se contra um objecto, pessoa ou animal é uma forma do gato demonstrar que aquele território, objecto, animal ou pessoa é da sua posse. Na generalidade, este comportamento pode ser visto como um acto carinhoso e amistoso.

Imagem retirada de: dlemoshotel.blogspot.com

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Leptospirose

A leptospirose é uma doença infecciosa causada por bactérias do género Leptospira sp.. É uma zoonose, ou seja afecta tanto o Homem como os animais (a maioria dos animais domésticos e selvagens incluindo o cão). Tanto os animais como o Homem podem infectar-se por mordedura, ingestão, contacto directo das mucosas ou pele lesionada com água, alimentos ou objectos contaminados pela urina dos animais portadores e ainda pode ser transmitida pelas mães através da placenta. Os roedores são um importante veículo desta doença.
Esta bactéria é mais frequente nos meses chuvosos, principalmente em zonas alagadas e com fracas condições de higiene. Ela é eliminada pelos animais portadores durante meses a anos, mesmo quando já recuperaram da infecção. Apesar de não se multiplicar fora do hospedeiro e ser sensível a temperaturas e pH extremos a leptospira pode sobreviver até 180 dias em águas paradas e solos húmidos.
Após penetrar no organismo as leptospiras vão multiplicar-se rapidamente no sangue e tem como alvos principais o fígado e os rins podendo causar insuficiência hepática ou renal aguda.
Os sinais clínicos são muito variados e dependem da idade do animal, do estado imunitário e ainda da serovar de leptospira que o infecta. Normalmente apresentam:
- Febre
- Anorexia
- Vómito
- Desidratação

- Aumento da sede
- Icterícia (mucosas amarelas)
-
Dores musculares generalizadas
- Aumento ou diminuição da micção
- Sangue na urina ou fezes
- Sangramento pelo nariz
- Aborto

- Meningite

Em alguns casos a doença pode ser aguda causando a morte do animal sem haver manifestação de sintomas.
Para diagnosticar a leptospirose, além do exame clínico do animal são necessárias análises sanguíneas gerais e também análises específicas para tentar detectar a presença de leptospiras.
A prevenção deve ser feita vacinando o animal para a doença pois ajuda a reduzir a incidência e a gravidade da doença. A vacinação deve ser feita pelo menos uma vez por ano e em zonas onde haja muitos casos de leptospirose é recomendado vacinar duas vezes por ano. Para prevenir a contaminação de pessoas e outros animais devem ser tomados cuidados nomeadamente:
- Separar o animal de todos os restantes e mantê-lo numa zona de fácil limpeza

- Utilizar luvas quando se efectua a limpeza e desinfecção do local
- Usar desinfectantes à base de iodo
- Caso alguma pessoa que contactou com o animal apresente sinais de doença deve ser vista por um médico o mais rapidamente possível.

Se o seu animal apresentar sintomas de leptospirose deve ser levado ao médico veterinário o mais rapidamente possível para que possa ser tratado.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010