segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Infecções cutâneas por fungos – Dermatofitoses

A dermatofitose é uma infecção da pele, pêlos e unhas causada por fungos do género Microsporum sp. ou Trichophyton sp. mais conhecida por “tinha”. Estes fungos podem atingir cães e gatos, apesar de os gatos serem geralmente mais afectados. Os animais jovens ou idosos, animais imunodeprimidos (com imunodeficiência felina ou leucemia felina por exemplo), com pêlo longo, com outros problemas dermatológicos ou que habitam em locais com grande concentração de animais estão mais predispostos a ser infectados por fungos. Estes fungos também podem causar lesões na pele das pessoas pois a dermatofitose é uma zoonose.

Os animais podem contaminar-se por contacto com roedores, com solo e objectos contaminados por esporos dos fungos ou com outros animais contaminados. Alguns esporos podem permanecer no ambiente até cerca de 2 anos, principalmente em zonas onde haja calor e humidade.

Nem todos os animais que contactam com os esporos dos fungos desenvolvem a infecção e alguns não apresentam sintomas sendo portadores assintomáticos ou tendo apenas zonas onde o pêlo é mais rarefeito. Os sintomas são muito variados mas os mais observados são alopécias (falta de pêlo) redondas de rápido desenvolvimento, descamação, inflamação da pele principalmente na borda da zona sem pêlos, coloração escura da pele e comichão. As zonas mais afectadas são o focinho, a cauda, as patas e as orelhas.

O diagnóstico faz-se com base na história clínica do animal, observação das lesões e testes específicos como a cultura de fungos a partir dos pêlos e observação ao microscópio. Pode realizar-se ainda um exame com a lâmpada de Wood que faz com que os esporos de Microsporum canis sejam observados com cor verde maçã. A desvantagem da lâmpada de Wood é que apenas detecta 50% dos casos e o facto de não se observarem esporos verdes não descarta a hipótese de haver infecção por fungos.

Se houver vários animais em contacto na mesma casa devem ser todos testados, mesmo que não manifestem sinais pois podem ser portadores assintomáticos.

O tratamento é feito com medicamentos tópicos utilizados localmente (champôs, pomadas, sprays, etc) e/ou com medicação oral, dependendo da gravidade da infecção. Em alguns animais, principalmente os de pêlo longo é aconselhada uma tosquia para que o tratamento actue mais rapidamente. Todos os animais infectados ou portadores assintomáticos que convivam na mesma casa devem ser tratados e mantidos em quarentena durante o tratamento. A pessoa responsável por cuidar destes animais e dar-lhes medicação deve usar luvas e trocar de roupa quando contactar com os animais doentes.

Para prevenir a contaminação deve:

- Evitar que ele ande em zonas onde possam ter estado roedores ou animais doentes

- Lavar e desinfectar os locais e objectos com que o animal contacta habitualmente (escovas, mantas, camas, etc)

Caso suspeite que o seu animal possa ter uma dermatofitose aconselhe-se com o médico veterinário.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Hérnia diafragmática

A hérnia diafragmática acontece quando o diafragma (músculo que separa a cavidade torácica do abdómen) se rompe permitindo que as vísceras do abdómen (fígado, estômago, intestino, etc) passem para o tórax. A maioria das hérnias diafragmáticas são de origem traumática (quedas, atropelamentos, lutas, pontapés) mas em alguns casos podem ser congénitas. Podem acontecer tanto em cães como em gatos.

Os sintomas podem levar dias, meses ou até anos a manifestar-se e os mais comuns nestes são a dificuldade respiratória, cianose (mucosas roxas), abdómen diminuído de tamanho, vómitos, anorexia, ausência de fezes ou diarreia.

Para diagnosticar estas situações é necessário fazer radiografia torácica e por vezes também ecografia e radiografias com meio de contraste para verificar a presença do estômago e intestinos no tórax.

O tratamento pa
ssa por uma cirurgia para corrigir hérnia fechando o diafragma e colocando os órgãos novamente na cavidade abdominal. O prognóstico nestes casos é reservado pois geralmente os animais encontram-se em estado crítico e a cirurgia tem alguns riscos associados. Muitas vezes é necessário estabilizá-los antes da cirurgia para reduzir os riscos anestésicos e fazer uma monitorização apertada no período pós-cirúrgico para aumentar a possibilidade de sobrevivência do animal.
Para diminuir os riscos de uma hérnia diafragmática
previna os acidentes que a podem provocar:
-Tome medidas para evitar quedas de janelas e varandas.
-Não deixe o seu animal de estimação vir à rua sozinho.
-Passeie o seu cão com trela.
Em caso de acidente ou sintomatologia anormal consulte sempre o seu médico veterinário.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Maneio de tartarugas semi-aquáticas (2ª Parte)

Alimentação
As tartarugas são omnívoras e no seu habitat natural podem alimentar-se de pequenos peixes, girinos e também de plantas. Tendo isto em conta os “camarões secos” não são aconselhados porque são pobres em proteínas, vitaminas e minerais essenciais.
O mais aconselhado é ração própria para tartarugas, comida liofilizada à base de peixe e insectos, ração para gatos, peixe ou carnes brancas cozidas, insectos como caracóis e ainda alguns vegetais e frutos. Uma alimentação variada, rica em vitaminas vai prevenir doenças como a hipovitaminose A (carência de vitamina A) que causa conjuntivites (infecções no olhos), abcessos no ouvido e alterações na pele e carapaça.

Hibernação

A hibernação é um período em que o metabolismo é reduzido
ao mínimo e o animal deixa de ter actividade física. Nas tartarugas este período permite regular o ciclo reprodutivo, defender-se de condições climatéricas desfavoráveis e das épocas em que há falta de alimentos. Se não quiser que a sua tartaruga se reproduza e pretender mantê-la saudável deve evitar que ela hiberne não permitindo que a temperatura ambiente do aquaterrário baixe. Algumas espécies de tartarugas de climas tropicais não podem hibernar pois no seu habitat natural nunca necessitam de hibernar e o seu organismo não está preparado para essa situação.
Em tartarugas jovens (menos de 1 ano), acabadas de comprar ou que estiveram doentes durante o Verão a hibernação acarreta ainda mais riscos pois não têm reservas de gordura suficientes para a suportar.

A semi-hibernação (mantém a actividade mas não comem) deve ser evitada. Caso aconteça deve-se colocar a tartaruga num aquário com temperatura aquecida para que retome a sua actividade normal e não hiberne mais.

Se pretender que a sua tartaruga hiberne mesmo assim deve preparar a hibernação com antecedência baixando gradualmente a temperatura do aquaterrário ao longo de um mês e diminuindo a quantidade de comida conforme a tartaruga reduz a actividade (o intestino deve estar vazio quando hibernam). É aconselhável reduzir a exposição da tartaruga à luz durante a hibernação.

Se ela estiver alojada num lago exterior este deve ter profundidade suficiente (mais de 60 cm) para que a água do fundo não varie muito de temperatura e deve ter sempre uma zona em que a água não congele para permitir à tartaruga vir à superfície respirar.
Para acordar da hibernação deve aquecer o local onde ela se encontra gradualmente e aos poucos aumentar a sua exposição solar até que ela regresse à sua actividade normal (cerca de uma semana).

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Maneio de tartarugas semi-aquáticas (1ª Parte)


Actualmente existem cada vez mais pessoas que têm animais exóticos como animais de companhia, sendo um dos mais comuns a tartaruga. As espécies mais comuns de tartaruga encontradas nas lojas de animais são Trachemys e Pseudemys, originárias do continente americano.
Estes animais, com um maneio e alimentação adequados podem viver mais de 25 anos e a maioria das tartarugas semi-aquáticas atingem 25 a 30 cm de comprimento na idade adulta. Ao escolher uma tartaruga
deve ter em atenção que ela tenha os olhos brilhantes, nade energicamente em busca da comida e tenha a carapaça dura pois são sinais de que está de boa saúde.

Alojamento


Embora a maioria destes animais seja adquirida numa idade jovem e com menos de 5 cm de comprimento deve ser tido em conta o seu tamanho adulto quando se compra um aquáterrário para as alojar.

O aquário deve ser de vidro e ter uma largura de 3 vezes o comprimento da carapaça da tartaruga e um comprimento de 5 vezes o comprimento da carapaça. A profundidade da água deve ser no mínimo 25 cm para que a tartaruga possa nadar à vontade. Também podem ser alojadas em lagos no jardim desde que lhes sejam dadas condições para hibernar. Caso elas estejam no jardim deve ser colocada uma vedação em volta do lago para as proteger dos predadores (cães, aves, etc).
No fundo do aquaterrário/lago pode ser coberto com pedras redondas (para não ferir a carapaça) até uma altura de 5 cm. Deve ser colocada uma rampa de acesso a uma zona seca (pedras, telha) onde a tartaruga possa descansar e apanhar sol.
Caso não tenha acesso a luz solar directa diariamente deve ser colocada no aquário uma luz ultravioleta por cima da zona seca (nesta zona a temperatura não deve exceder os 30ºC).
A radiação ultravioleta é importante para a absorção do cálcio que permite um correcto desenvolvimento da
carapaça.
Como a maioria das tartarugas vem de climas tropicais precisam que a temperatura da água seja mantida entre 22 a 26ºC através de um termóstato próprio para aquários ou de um tapete de aquecimento por baixo do vidro do aquário. O aquário deve estar parcialmente coberto para que a diferença de temperatura entre a água e a zona seca não ultrapasse os 4ºC.
A qualidade da água é muito importante para estes animais por isso devem ser usados produtos que retirem o cloro ou água deve ser mantida num recipiente aberto durante 2 dias para que o cloro evapore antes de a por no aquário.
É aconselhado o uso de um filtro de água com uma bomba para manter a limpeza do aquário e evitar trocas muito frequentes de água. O filtro deve ser exterior para não provocar vibração e não deve ser muito potente para não causar correntes no aquário.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Animais acidentados – Primeiros Socorros (4ª Parte)

Reanimação cardiopulmonar

Em casos de traumatismos graves ou outras situações em que o animal entre em choque pode haver uma paragem respiratória e/ ou cardíaca. Nestes casos é necessário iniciar as manobras de reanimação ao animal mesmo antes de ele chegar à clínica veterinária, na tentativa de restabelecer a respiração e o batimento cardíaco para que o cérebro e outros órgãos vitais recebam oxigénio.
Para fazer a reanimação devemos:
- Verificar que o animal está inconsciente (falar com ele, tocar-lhe).
- Caso esteja incosnciente verificar se há respiração (movimentos do tórax, saída de ar pelas narinas/boca).
- Se estiver inconsciente e com paragem respiratória deitá-lo obre o seu lado direito.
- Estender a cabeça e o pescoço e esticar a língua. Caso haja alguma coisa a obstruir a passagem do ar (saliva, vómito, etc) tentar retirar.
- Se dentro de 10 segundos o animal não respirar por as mãos em torno do focinho para fechar a boca do animal e fazer respiração boca a focinho 3 a 5 vezes (verificar que o tórax mexe ao insuflar o ar).
- Averiguar se o animal tem batimento cardíaco colocando a mão no tórax, no local onde o cotovelo bate quando se dobra a pata ou se tem pulso na artéria femoral (na parte de dentro da coxa).
- Se não houver batimento cardíaco nem pulso começar as compressões no tórax. Em cães com menos de 10 kg e gatos comprimir o tórax com uma mão de cada lado e em cães maiores fazer compressão com as duas mãos do mesmo lado do tórax.
- Fazer 12 compressões torácicas seguidas de uma respiração boca a focinho.
A reanimação deve ser feita enquanto o animal é transportado para o veterinário ou até que o coração volte a bater.


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Animais acidentados – Primeiros Socorros (3ª Parte)

Choque

O choque ocorre quando por algum motivo o organismo não consegue fazer chegar oxigénio suficiente aos órgãos ou quando os órgãos não conseguem usar devidamente o oxigénio que lá chega.
As causas mais comuns de choque são traumatismos (lutas, acidentes), envenenamento, picadas de insectos, vómito ou diarreia grave, queimaduras, obstruções respiratórias ou paragem cardíaca.
Os sinais que indicam que o animal pode estar em choque são:
- Excitação ou prostração
- Aumento da frequência cardíaca
- Mucosas pálidas ou azuladas
- Pulso normal que rapidamente enfraquece
- Temperatura baixa
- Respiração muito acelerada ou muito lenta

Numa situação de choque o dono deve tomar medidas imediatas para ajudar o seu animal e dirigir-se o mais rapidamente possível à clínica veterinária:
- Imobilizar o animal
- Ajudar o animal a respirar caso haja dificuldade
- Parar alguma hemorragia visível
-
Cobrir o animal com roupa quente

-
Proteger as zonas onde possa haver fracturas

- Não dar qualquer tipo de medicamento (aspirina, ben-u-ron, anti-inflamatórios) que não tenha sido indicado pelo veterinário naquele momento

-
Não deixar o animal andar nem entrar ou sair do carro sozinho porque o movimento pode agravar as hemorragias internas

-
Não dar água nem comida ao animal pois ele pode engasgar-se e sufocar.
Os sinais em choque nem sempre são imediatamente evidentes, muitas vezes só são perceptíveis quando não há nada a fazer pelo animal. Por isso em situações de traumatismo ou caso o animal se encontre debilitado não hesite em levá-lo o mais rapidamente possível ao médico veterinário.


Animais acidentados – Primeiros Socorros (2ª Parte)

Hemorragias

No caso de uma hemorragia grave (perda de mais de 4 colheres de chá de sangue por kg de peso) é necessário que o dono tome medidas para a parar durante o transporte para a clínica. Para isso existem vários métodos:
- Compressão directa: colocar uma compressa, um pano limpo ou até a mão sobre a zona que está a sangrar e aplicar pressão. Em caso da compressa ensopar com sangue deve-se colocar mais compressas por cima e nunca retirar a compressa para não retirar o sangue coagulado. Se possível colocar uma ligadura pouco apertada sobre as compressas para poder ficar com as mãos livres.
- Elevação do membro ou cauda: em hemorragias das patas ou cauda deve-se tentar colocar a zona que sangra acima do nível do coração para que pare. Pode ser feito em conjunto com a compressão.
- Pressão nas artérias da zona: pode ser aplicada na artéria femoral (lado de dentro da coxa) caso haja feridas numa das patas traseiras, na artéria braquial (lado de dentro do braço) caso a ferida seja numa pata da frente ou na artéria caudal (base da causa) se houver feridas na cauda.
- Torniquete: só deve ser feito em caso de hemorragias que ponham em causa a sobrevivência do animal e caso possa ser necessária amputação do membro pois este procedimento pode incapacitar o membro permanentemente. Faz-se usando um pedaço de tecido largo pa
ra dar duas voltas ao membro e atando. Colocar um pequeno pau no nó e rodar até que a hemorragia pare. O torniquete deve ser solto de 20 em 20 minutos durante 20 segundos.
Nas hemorragias internas geralmente há acumulação de sangue no est
ômago ou no tórax. Normalmente não são visíveis do exterior mas existem sintomas indicativos:
- Mucosas pálidas (gengiva)

- Temperatura baixa (patas, orelhas)
- Tosse com san
gue
- Prostração extrema