quarta-feira, 5 de maio de 2010

Lidar com a morte do seu animal


A esperança de vida dos animais é bastante mais curta que a dos seres humanos. É quase uma certeza que vamos ter de enfrentar a morte do nosso animal. Desde que ele entra nas nossas vidas, vamos evitando pensar nesse medo, até que um dia o temido acontece. E o nosso companheiro de brincadeiras, que nos fez sorrir naqueles momentos em que mais nada correu bem, deixa de estar entre nós.


Não-aceitação e choque

A negação pode ocorrer quando animal está gravemente doente. O dono tem dificuldade em aceitar que a situação é irreversível e agarra-se a esperanças infundadas. Quando o animal morre entra em choque e não consegue perceber que o animal já não está vivo.


Culpa
A culpa é um sentimento frequente nos casos de morte. Surge a dúvida se alguma das decisões que se tomaram ou não, precipitaram ou poderiam evitar o sucedido: “Se tivesse passado mais tempo com ele”, “se o tivesse levado ao veterinário mais cedo”, “se tivesse consultado mais opiniões profissionais”, “se não o tivesse deixado sem trela”, “se não tivesse decidido operar”. A culpa que o dono sente em relação à morte do seu animal é exacerbada porque o animal está dependente inteiramente do dono e é ele que toma as decisões determinantes na vida do animal. Assim o dono sente que é o responsável pela morte do animal.

Nas situações em que a eutanásia foi colocada como opção, o dono pode sentir-se culpado, quer por ter terminado o sofrimento do animal, quer por ter insistido no tratamento.


Raiva

Sentir raiva ou ficar zangado é uma fase normal do luto. A raiva pode ser dirigida para diversas direcções. O dono pode sentir raiva do animal porque o abandonou, do resto da família, do vizinho porque nunca gostou do seu animal, do veterinário, da sociedade em geral ou até de Deus. A raiva é completamente irracional implicando que na maioria das vezes seja injusta.


Tristeza

Nesta fase o dono sente-se triste por ter perdido o seu amigo. Pode ajudar falar com outras pessoas que passaram pelo mesmo.

Se esta fase se prolongar ou se aprofundar em demasia pode conduzir a uma depressão que requer acompanhamento médico.

Oh! Era só um animal…

As pessoas que não têm animais, podem não entender o sofrimento que a morte do ente querido de 4 patas pode trazer. Por vezes ouvem-se observações: “oh, era só um animal”.

Os donos têm o direito de sofrer com a morte do seu animal. A opinião do vizinho ou de colega de trabalho não deve interferir no seu direito de sofrer pela perda. Se tem vontade chore. Procure o apoio de pessoas que o compreendam ou que já tenham passado por situações similares. Você tem todo o direito de sofrer por aquele “só um animal” que o recebeu sempre contente, que nunca o criticou, que lhe lambeu as mãos depois de um dia difícil.


Aceitação

A recuperação passa pela aceitação da morte. Aconteceu e não temos o poder de alterar o sucedido. Implica encarar a vida tal como ela é, e seguir em frente.

Seguir em frente não implica esquecer o seu animal. Não necessita eliminar as fotografias do animal, mas também não deve manter indefinidamente o cantinho dele como se ele fosse voltar. Arrumar as “ideias” ajuda a ultrapassar esta fase. Separe as coisas dele que lhe vão dar prazer em rever e recordar. Arrume ou dê tudo o resto que não necessite.

Pode doar algum dinheiro a instituições de apoio a animais abandonados, apadrinhar um animal ou qualquer outra coisa que faça sentido para si. Fazer algo de positivo faz com que as pessoas se sintam melhor com elas próprias.

O tempo é o melhor remédio e cura tudo. A dor vai diminuindo e progressivamente vai recordar os bons momentos e não a morte.


Estas fases podem não se suceder e o dono pode saltar entre as várias fases. Podendo ainda não experimentar todas estas etapas, passar muito tempo numa fase e pouquíssimo noutra. A forma como se lida com a morte de um ente querido difere de indivíduo para indivíduo.


A recuperação terá de partir da própria pessoa e não de pressões externas. Não deixando de ser importante o apoio de amigos e familiares.


Novo animal

Os animais são insubstituíveis e o animal que arranjar nunca será igual ao anterior. Mas quando chegar à fase de recuperação pode pensar em ter um novo animal. Se gosta de animais não deve privar-se dos bons momentos que poderão passar juntos só para evitar o sofrimento que a perda lhe trouxe. A vida sem momentos bons e sem momentos menos bons não é uma vida plena. Mas não se precipite. Toda a família deve querer um novo membro e estar disponível para as tarefas que um cachorro/gatinho ainda não educado implicam.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Mais um problema da desflorestação

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Erliquiose

É uma doença também conhecida como febre da carraça e é causada por uma bactéria chamada Erlichia canis que infecta os glóbulos brancos dos cães e de outros animais silvestres. É transmitida pela picada da carraça Rhipicephalus sanguineus ou por transfusões sanguíneas.


Tem um período de incubação que vai de 8 a 20 dias e os sintomas são:
- Apatia
- Perda de apetite
- Febre
- Perda de peso
- Hemorragias (nasais, sangue na urina ou fezes)
- Gânglios aumentados
- Manchas vermelhas na pele (petéquias)
- Anemia
- Alterações no fígado e rim

O diagnóstico faz-se através de análises específicas ao sangue que permitem detectar a bactéria, embora numa fase inicial da doença os testes possam ser negativos. Por vezes é necessário realizar ecografia para avaliar o fígado e baço ou análises à medula óssea em casos mais graves.
O tratamento é feito com antibióticos e anti-inflamatórios apropriados durante um mês. Nos casos em que há anemia grave pode ser necessário realizar transfusões sanguíneas.
O prognóstico é bom e os animais começam a melhorar após 3 dias de tratamento caso não haja alterações da medula óssea ou insuficiência renal associada.
A prevenção desta doença é a melhor solução e uma vez que não existe vacina deve-se apostar em colocar no cão produtos que impeçam a carraça de picar transmitindo a bactéria.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Babesiose ou Piroplasmose

A Babesiose ou Piroplasmose é uma das doenças a que vulgarmente se dá o nome de febre da carraça sendo causada por um parasita dos glóbulos vermelhos, a Babesia canis que é igualmente um parasita da carraça. As carraças (Rhipicephalus sanguineus e Dermacentor reticulatus) transmitem a doença quando ingerem sangue do hospedeiro durante mais de 48h e quanto maior a quantidade de carraças presentes no cão, maior o risco de infecção. Os animais mais jovens também têm maior probabilidade de serem infectados do que os adultos.
A maior parte dos animais infectados não apresenta sinais clínicos podendo só os manifestar quando é sujeito a stress ou tem outras doenças associadas. Como o sistema imunitário não elimina totalmente as Babesias do animal, mesmo os que recuperam são geralmente veículos crónicos de transmissão do parasita.
Os sintomas geralmente são:
- Cansaço
- Febre
- Perda de apetite
- Vómitos
- Sangue na urina
- Manchas vermelhas na pele (petéquias)
- Gânglios aumentados
- Alterações respiratórias ou neurológicas
- Anemia

O diagnóstico é feito por observação de um esfregaço de sangue ao microscópio ou testes específicos para detectar o parasita. Em animais que não apresentam sintomas o parasita pode não ser observado no sangue embora esteja presente.
O tratamento é simples e eficaz mas é sempre melhor prevenir a doença uma vez que pode também transmitir-se aos seres humanos.
A prevenção deve ser feita quer colocando no cão produtos que evitem a fixação de carraças, quer através da vacina que tem uma eficácia que varia entre 70% a 100%. O animal para poder ser vacinado contra a babesiose deve estar de perfeita saúde, e ter mais de 5 meses. A primeira vacinação requer duas injecções e a protecção só ocorre passado uns dias depois da segunda injecção. As seguintes revacinações são anuais.
Aconselhe-se junto do seu médico veterinário quais os produtos mais adequados para proteger o seu animal.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

QUESTIONÁRIO SOBRE LEISHMANIOSE


De 21 de Abril a 11 de Maio de 2010, a nossa clínica veterinária fará um concurso sob o tema leishmaniose e o quanto está informado sobre ela.
Desloque-se à clínica veterinária Bichos & Caprichos e preencha o questionário. Teste os seus conhecimentos e habilite-se a ganhar prémios.
Os concorrentes receberão as respostas correctas em suas casas, podendo assim ficar mais esclarecidos sobre esta grave doença.
Os 3 participantes com mais respostas correctas receberão prémios.

Perito em Leishmaniose? Não perca esta oportunidade!
Não sabe nada sobre ela? Está na hora de aprender...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Doenças transmitidas por pulgas

Ao contrário do que se possa pensar as pulgas não são prejudiciais aos animais apenas pelo sangue que lhes sugam para se alimentarem diariamente. Ao alimentar-se as pulgas injectam saliva na pele do animal através da qual podem transmitir parasitas sanguíneos ou causar alergia grave (dermatite alérgica à picada da pulga). Além disso, através da sua ingestão quando se mordem para se coçarem os animais podem ficar parasitados com ténias que também podem ser transmitidas aos humanos.

Dermatite alérgica à picada da pulga

Ocorre em cães ou gatos que sejam alérgicos a um ou mais componentes da saliva da pulga. Acontece tanto em fêmeas como em machos mas geralmente não aparece em animais com menos de 6 meses de idade.
Nestes animais uma só picada é suficiente para desencadear esta doença causando sintomas como:
- Comichão (lamber, morder, arrastar-se nas paredes e tapetes, etc)
- Inflamação/vermelhidão da pele
- Pápulas (pequenas borbulhas vermelhas)
- Feridas com crostas
- Alopécias (falhas de pêlo)
- Cor escura da pele ou pus
- Mau cheiro da pele causado por bactérias e fungos
- Stress devido à comichão constante

As zonas mais afectadas são normalmente o dorso, a zona envolvente da cauda, a barriga, a parte de trás das patas traseiras e o pescoço.
O diagnóstico faz-se pelos sinais clínicos, localização e início do prurido (comichão) e pela visualização das pulgas ou das suas fezes. Nem sempre se observa uma grande quantidade de pulgas nestes animais pois eles ao lamber-se e morder-se acabam por eliminar grande parte das pulgas.

Parasitas sanguíneos - Hemobartonelose

O agente causador é a Haemobartonella felis, uma bactéria que se encontra dentro dos glóbulos vermelhos e que os destrói. Esta bactéria infecta principalmente os gatos jovens e pode ser transmitida entre outras coisa pela saliva que as pulgas injectam ao picar.

Os animais podem ser portadores da doença mas só desenvolver sintomas quando o seu sistema imunitário está debilitado ou quando estão infectados pelo vírus da leucemia (FeLV) ou da imunodeficiência felina (FIV). Geralmente detecta-se:
- Febre
- Apatia/depressão
- Diminuição do apetite
- Mucosas pálidas/icterícia (mucosas amarelas)
- Perda de peso
- Anemia
Para diagnosticar a doença é necessário fazer análises sanguíneas e o tratamento passa pela administração de antibióticos e transfusões sanguíneas em casos mais graves. Caso não sejam tratados cerca de um terço dos animais infectados com esta doença morre.

Ténias – Dipilidium caninum

As pulgas são transmissoras deste parasita intestinal quando são ingeridas pelos cães/gatos e não através da sua picada como acontece noutras doenças. O Homem também pode ser infectado com esta ténia através do contacto com as fezes de animais portadores do parasita. Isto acontece porque o parasita vai largando segmentos semelhantes a grãos de arroz contendo ovos através das fezes do animal.
Cães infectados com Dipilidium podem apresentar:
- Diarreia
- Perda de peso
- Prurido anal que faz com que o animal arraste o rabo no chão
Este parasita é detectado pela visualização dos seus segmentos nas fezes mas podemos suspeitar da sua existência pelos sinais clínicos. Em qualquer dos casos aconselha-se tratar o animal com um desparasitante interno de largo espectro e repetir o tratamento mensalmente até que desapareçam completamente os sintomas.

Devido a todos os efeitos negativos que as pulgas causam, o controlo da infestação deve ser feito cuidadosamente, mantendo a utilização de produtos anti-pulgas durante todo o ano assim como a higiene dos locais onde os animais se encontram.
Aconselhe-se com o seu veterinário sobre qual o produto mais adequado para o seu animal principalmente nos casos de animais alérgicos à picada da pulga em que o controlo deve ser mais apertado.

quinta-feira, 15 de abril de 2010